sexta-feira, 23 de novembro de 2012


Ela veio como quem não queria nada. Com aquele olhar de quem não sabe o que fazer e o ar confiante de quem esconde o ouro.
Passou por mim e fingiu que não notou, no fundo, sei bem que me olhou.
Traga esse cigarro como quem espera a vida passar, sente o cheiro do sangue só pra forçar um sorriso.
A cada passo na estrada, ela olha pra trás, não sabe se isso a faz forte ou se a derruba mais.
Vive cada minuto, esperando por outrem que talvez nunca vá voltar. Tem dentro de si uma esperança proporcional a seu orgulho.
Tento entender esses milhões de pensamentos que te atormentam, mas sempre é em vão.
És como uma brisa suave por fora e um furacão por dentro. És sedução e inquietação. Chegas, porém logo partes deixando apenas o teu cheiro no ar.
É um sentimento estranho, de quem faz bem, mas me deixa com mil incógnitas. E tu sempre te negas a resolve-las.
És mais complicada que matemática.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Fernando Pessoa

"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril"

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O dia amanheceu, eu não dormi. Agora já é quase duas e ainda não dormi. Estou pensando naquela wodka que está guardada, pensando no cigarro que está na bolsa, pensando em sentar e sorrir pra solidão. Mas e essa vontade de chorar? E toda essa confusão que está tomando conta de mim? Eu não sei pra onde ir e não tem ninguém pra me dizer.
Toda a força que eu penso ter, desapareceu. Olho ao redor e todos que eu pensava ter, sumiram. Cadê você pra me dizer que vai tudo ficar bem? Mas, pera, você quem? Por favor, tira isso de mim.
Peço socorro, mas a brisa bate e leva meu silêncio pra longe. Minhas pupilas são barcos desnorteados. O mundo é grande, meu mundo é pequeno, ta tudo tão estranho.
É como andar sobre o fogo e não sentir as brasas lhe queimarem, é como sentir o sangue escorrer e não se importar, ver seu pulmão explodir e não ligar.
Estou tentando recolher os destroços que estão no chão, os pedaços de mim que estão espalhados por aí, porém minha alma se perdeu em algum lugar que eu não sei onde. Minha força se enfiou em algum buraco sem saída.
O dia amanheceu, mas a alma ainda não voltou.

domingo, 11 de novembro de 2012

Veja esse filme de novas coisas velhas, esse replay de coisas que não mais importam e ainda arrepiam. Você sempre passa despercebida aos olhos de quem te nota. Segue a vida como quem faz tudo certo, tropeçando nos seus erros. Leva essa vida tão cheia de mágoas que você mesma causou.