domingo, 12 de novembro de 2017

Curta.

Meu peito é um poço tapado que inunda de perguntas e me afoga na ânsia de respostas.
Ao ouvir Pessoa dizer: O que hei de pensar? Grito como num surto: NADA. E Pedro me lança um tapa na cara.
A verdade é que a dúvida traz uma pureza infantil que não sabemos lidar por sermos cognitivos demais.
Eu amo o mundo. Eu sou feito de amor. Me pulsa nas veias o Ágape, respiro Philos, mas sou movido pelo Eros. Eu sou feito de amor, num poço tapado.
A Inocência da criança, que já habitou em mim, corre das borboletas. A criança que sou conversa com o Cosmo, como um Pai atencioso. Ele me acalanta, e eu filosofo. Ele me diz: Brinca. Pedro pula, e eu o olho com reprovação.
Temos pouco tempo pra decifrar o mundo, nesse poço tapado.
Mas me questiono como há tijolo sob tijolo, e de que é feito o cimento que os une, como se apenas coisas concretas fossem reais por fora e não houvesse metafísica em coisa alguma que toco.
Deito e levanto no mesmo lugar, com minhas dúvidas de travesseiro fazendo meus sonhos reais demais pra serem vividos nas três horas de sono.
Pergunto então ao Pai,o que houve com Pessoa, e Abreu, e comigo, e com o amor. Ele me diz coisa alguma. Não há filosofia escrita que explique as questões perturbadoras de uma criança que nunca foi infantil.
Talvez a resposta do meu ser estivesse naquele sonho que eu não soube decidir se "creme" ou "doce de leite" em 1999.
Os pés que firmam o ponto que sou transformam-se em reticencias, mas eu não sei escrever linhas atemporais.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Histeria

Noite passada fiquei esperando você chegar em casa, e se você tivesse chego talvez eu teria feito drama indo dormir no sofá.
É que você me irrita, de vez em quando. 
[Mas isso é muito mais sobre mim.
Gosto de toda essa peculiaridade de dizer que gosto até do jeito que respira, mas você me irrita.
Você teria chego e eu teria fingindo um sorriso forçado, seguido de um beijo quente (mesmo que emburrado).
Meus chinelos ficariam no canto do quarto só pra ver você brava com meus pés no chão.
E deixa os cachorros comigo, vai dormir sozinha!
Porque você me irrita.
A janta feita, mesmo assim, do jeito que você gosta. E a toalha posta no banheiro, a roupa separada já, pra não passar frio quando sair.
Mesmo com cara de quem não quer seu cafuné na orelha. [Mentira descarada, claro, mas você me irrita e precisa saber disso.
Isso tudo é muito mais sobre mim.
Você não chegou em casa ontem a noite e a cama ficou grande demais.
Se você tivesse chego eu sei que teria dado risada da minha tentativa frustada de chamar sua atenção.
Você é dona de si. E ainda que eu revire os olhos pra sua tentativa de me puxar pela cintura, e fique com raiva quando ignora minha histeria por nada, ainda acelera meu coração quando diz “sabia que te amo?” quando eu só queria que caísse na minha tentativa de começar uma discussão por coisa alguma.
Você me irrita.

Eu fiquei esperando você a noite toda, mesmo sabendo que se chegasse eu te daria as costas. Eu esperei você a noite toda porque eu sabia que você me abraçaria e faria das minhas costas o melhor aconchego. Ainda to esperando você chegar, porque eu só posso estar louco por amar até o jeito como me irrita.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Parte do (meu) mundo.

Me lembro de abrir os olhos e sorrir. Primeiro sorriso do dia, junto com o sol. Me lembro de abrir os olhos e ver você.
Não acho que seja sorte, mas se for, você é meu trevo de 5 folhas.
Acho graça quando seus pés caçam os meus, e num dom único, esquentam os meus.  Não há um centímetro meu que não aqueça com sua presença.
Num mundo cheio da arte de Gogh, paro no batente da porta, e a cena de você de pijama concentrada ao passar um simples café é a pintura mais linda que nunca fizeram. (Perderam uma obra prima)
Meus medos coloquei no bolso, sua presença me da coragem. E por falar em presença, já perdi as contas de quantos toques seus já me encontraram e ainda assim o arrepio me toma certeiro como o primeiro.
Já procurei em noites estreladas algo parecido com aquele olhar que você me lança, mas nada é parecido. Eu quase não me movo quando me olha assim, as constelações todas não teriam tanta influencia sob mim assim.
Meu corpo é meu, mas já escolheu ser seu. Cada átomo meu tem sede de você, cada músculo meu se retraí por você, todas as partículas que me pertencem agora são suas por direito.
Já não sei mais escrever! Todos os meus poemas se perdem quando você saí do banho e caminha no quarto, seu corpo é a poesia mais bonita (que eu nunca conseguiria por no papel).
Eu não saberia explicar o momento exato que eu te olhei e vi meu futuro todo. Cada vez que você chega é um pedaço do futuro que se cria dentro de mim.
Você chegou como oceano e desaguou, tudo em mim se inundou.
Nesse mundo com 7 maravilhas fico te observando dormir e me pergunto como pode você não ser uma!

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Filhos.

Eu lembro das coisas terríveis que ele me disse, dia após dias.
Relutei e lutei, até relatei aos meus demônios a carta póstuma que planejei.
Isso tudo foi tão inútil... Eu devia ter ouvido cada estrume, talvez tivesse entendido antes.
Mesmo sob armas carregadas o feto que eu era devia ter escutado, cada gatilho.
Quando se tampa o ouvido o mundo para de ensinar.
Não é fácil sobreviver por aqui, o direito de viver tentaram me tirar aos 10 minutos do primeiro tempo.
Mas em cada berro a vida tentou ensinar.
Eu devia te-lo ouvido mais. Acho que somos fruto do mesmo ventre traidor.
Ele sucumbiu e eu desço a ladeira.
Ainda que eu peça respeito,  ao 20 do segundo tempo, penso que devo desculpas. Afinal, o mundo não é diferente dele. Eu que me atrevi demais e as beiras do Globo levam ao abismo.
O perdão que escorria nos olhos naquela tarde quente não me comoveram, mas o suspiro silencioso da alma inocente tiraram meu dedo do gatilho. É tudo combinado e nós lançamos os dados.
Eu devo desculpas, pois dentro de mim vive muito mais dele, as vezes me pergunto onde me encaixo e onde ele se exalta. Somos frutos do mesmo ventre traidor.
Eu disse que faria diferente, hoje a décima lata é um brinde a sua 10 reabilitação.
Eu não sei onde errei, mas devia ter escutado mais, talvez assim entenderia a melancolia como deve ser sentida.
Mas hoje não sinto nada, além do cansaço, e quando sinto é mais ameno que o abraço de quem não conheço.
Tudo faz sentido, não desculpo, mas sou parte do todo que me fez ver que ódio é questão de se aceitar.
Somos frutos do mesmo ventre traidor. Sucumbindo e gritando: olha a ladeira!

domingo, 28 de maio de 2017

Não tenha medo

Lembro quando me deram o barco e disseram: não tenha medo. Me lembro dessas palavras todas as manhãs. Me questiono se tenho coragem todo fim de tarde.
Ser covarde talvez seja a bênção de quem entende o medo. Ser corajoso talvez seja a ignorância de quem desconhece o medo. E eu o que sou então?
Sinto-me dono das minhas velas e, mesmo sem controlar o vento, não temo a rota. Conheço meu porto e sei a força das ondas. A coragem que me move é o farol que me guia, o Porto que dei o nome e as madeiras que piso firme.
Mas chega o fim de tarde e me questiono mais uma vez, sinto que meu barco é apenas uma canoa e a qualquer momento afunda.
Olho as estrelas, do mar aberto são tantas, se multiplicam no reflexo que vejo. Olho o horizonte, daqui é tudo distante. Tenho medo.
Sou dono de tudo isso, e pouco temo. Mas quando olho a imensidão disso tudo temo não ter cais.
Há dias que tento conversar comigo mesmo, mas a resposta entalada na garganta se faz ecoar.
Não confio em muita coisa, mas gostaria de acreditar dessa vez. Repito pra mim mesmo, como meu próprio papagaio, num ato de auto afirmação: o que é medo?
Eu não sou corajoso, como posso temer tão pouco?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Tempo

A vida requer tempo. É tudo uma questão de tempo.
O problema é que tempo é uma ampulheta nas mãos de um senhor com Parkinson. A areia corre pra lá e pra cá. É muito quando se tem pouco, é nada quando se quer muito. E num segundo tudo se inverte.
O tempo tem sido cruel, espero que seja breve e ele se arrasta. Por um minuto vejo a areia se esgotando, mas as mãos tremem e a ampulheta está ao contrário. Nunca ha tempo.
Nos dias que os grãos parecem infinitos imagino o vidro se quebrando, os estilhaços dançando com os grãos e meu ser se esvaindo dessa linha gradual.
Seria algo relevante se entendêssemos o tempo e o matássemos num crime passional.
Mas, deixaríamos de existir? Mataríamos nós mesmos?
Minhas mãos trêmulas erguem a ampulheta contra a luz, os grãos são muitos....  O tempo está acabando!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Navalha

Traga -me a navalha, hoje vou dissecar a verdade. Abra uma água e aprecie o vinho.
Sem anestesia, ou bisturi com corte fino, traga-me a navalha que farei com que valha.
O problema da verdade é que ela é uma Quimera e corrói o coração dos desavisados. A mentira é muito mais sólida, tem terno e cartão de visita.
... Invoco a verdade
Invoco a verdade...
Cuidado com o que desejas.
A sinceridade é um cão bravo com aviso de cão manso e dilacera a mão dos tolos.
A mentira não... A mentira é só mais um participante dessa orgia esperando você gozar.
Traga-me a navalha, vou dilacerar algumas faces. Se eu abro a boca é pra cuspir marimbondos. Tome um Rum se quiser.
Não me pague com mentiras, chama-me de controverso, mas nunca encha o peito pra trazer-me mentiras.
Te traio com minhas verdades, mas nunca lhe serei leal com mentiras. Chame-me de Santo, se assim preferir.
Não acredite nessa faixada ilusória de que tudo é real por fora e bonito por dentro, é tudo podre e eu nunca disse o contrário. Planto flores pra amenizar nos meus as dores, mas nunca disse que eu era o botão. Solte esse espinho, o mundo mente pra si. Eu sou verdadeiro comigo.
Senta, você já está ludibriado.
- Ei, desça uma dose pro marujo.
- Como devo chama-lo, Capitão?
- Judas. Chame-o, quero brindar.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Vez ou outra eu queria saber o que pensa.
Quando fica séria, me olha, e não diz nada. Mas quando seus olhos abraçam os meus, sei exatamente o que pedem.
Em dias como esse, que o céu castiga, crio tantas cenas nossas que você poderia se tornar atriz.
Eu não sou bom em falar, mas você é ótima em escutar o silêncio. E adoro quando faltam palavras e meus dedos escalam sua cintura. Eu me calo e minha falta de palavras brinca com sua mudez. É uma sinfonia de suspiros.
Meus pés gelados agora insistem em ser mais gelados, porque quando vem pra esquenta-los também aquece o coração.
Todo esse clichê é engraçado, a gente ri de tudo, até de nós. Eu acho graça até da falta que você faz.
Lembro de você até na lista do mercado:
- sabonete
- desodorante
- Você
E acho graça de novo. Ser sério não é comigo, fujo do assunto. Mas você também não sabe ficar neles por muito tempo.
Eu queria saber o que tanto pensa quando tem medo. Do que tem medo? O que pode dar errado? Mas eu sei bem que, seja la o que for, tudo desaparece quando seus dedos cruzam os meus e brincam no ar.
Eu não sei se tenho sorte, talvez seja errado dizer isso, sorte é acaso. Você é mais que isso, você é a escolha mais certa. Eu já sei o que quer, antes de dizer. Você sabe o que eu quero, antes de mim.
To contando a saudade e colocando na conta, tem horas que falta papel.
Não que agora eu acredite num futuro, é que agora eu quero um futuro.
Eu não sei o que você quer quando muda de assunto, mas sei o que quer quando meu corpo encosta nas suas costas e minha boca beija seu pescoço.
Pois é, eu queria muita coisa. Não sei muita coisa. To aprendendo muita coisa. Todo aquele papo de ser alguém melhor pelo outro, não me comove. Quero ser melhor com você.
Nos dias que falta calma, sua voz é o efeito mais certo. E eu não sei como faz, como disse, não sei muita coisa.
Se eu pudesse escolher, escolheria mil vezes você (mesmo você achando que quero a apresentadora da tv).
Então cuida dos cachorros, prepara a janta, a espera faz tudo parecer distante, mas to preparando a vida pra nós.
Todo resto ja é teu.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Psicografia pt 2

Pedi licença pra entrar em casa.
Com os pés descalços pra sentir o chão.
Não sei como deveria ser a sensação, a muito não entendo o que devo sentir.
O coração quase para de tanto bater. Os lapsos cinapticos me dizem que está tudo bagunçado.
A cabeça não para, o peito aperta e não sei quando volto.
No meio de tanta dança, meus pés calejados fazem o ritmo da valsa rumo ao infinito. Bonito.
Pedi licença, mas nem sabia se entraria.
A entrada me vislumbrou, porém não sei se a vida me deixou entrar. Penso que cabulei a entrada. Dizem que pedi pra estar aqui, mas não me lembro, logo, nego a sentença.
Quando meus olhos param no infinito me questiono quantas vidas há em meio metro. E a dúvida me corroí quando penso que não sou parte de nenhuma delas.
Ontem, falando com Pedro, me questionou quem sou.
- Você. Respondi.
Desci aqui sem rota. O cometa que corta o céu, sem rumo pra cair.
Quando parei pra pensar no que é a vida, nunca mais levantei. Fiquei estático a porta como cachorro que não é expulso, mas não tem permissão de entrar.
Sinto o peso das decisões em meus ombros, como grilhões que prendem meu viver.
Eu pedi licença.
Não sei se limpo os pés ou tiro os sapatos. Não sei se deito o corpo ou a vida.
Não sei.
Licença, eu disse.
Por que a dúvida é mais pura que a resposta?
Por que vem? Por que fica? Por que existo? Pra que questiono?
Derrama-me a ignorância.
Como a lei da física, minha inércia é constante. Não sei quem sou, portanto nego meu ser. Não há filosofia maior que um ponto de interrogação.
A fé que me movia, hoje está alheia aquilo que visto. 3 contas não pagariam as tantas contas. Sem dor não alcanço a evolução e é insuportável ter um peito vazio.
Decretei prisão ao universo. Inafiançável. Minha cela não tem grade, o tempo não se aquieta.
Como pode um ser estar vivo e não saber que existe?

terça-feira, 25 de abril de 2017

Psicografia

Quando adentrei a casa senti a espinha gelar. Era como sentir cheiro de fumo pião toda hora, a penumbra preta sempre parada no batente da porta a me olhar, sempre foi como não pertencer.
Cada passo pelos cômodos são como cair lentamente. É sempre escuro, as luzes sempre queimam. É sempre silencioso, mas as vozes nunca param.
Sempre achei viver no inferno, ao sair dele, me dei conta de ter morrido.
Aos poucos.
Longe de onde o fogo queima, nada esquenta. É tudo sempre frio e distante.
Sinto ainda o chão gelado de taco, e as batidas na janela. Procurei quem quer que fosse, mas nunca havia ninguém.
Como posso hoje sentir paz se meu coração jaz onde a guerra é infinda?
A penumbra vive a querer se aproximar, mas corro como maratonista. Pra lugar algum.
Onde quer que eu me deleite, não ha paz.
Eu durmo. Mas não descanso. Acordo cansado. E meus ombros doem. Minha cabeça não parou, sei porque lembro.
Meu sangue ferve e meus dedos pedem o gelado do piso. Mas o gosto dessa parede, me lembra minha casa. Que nunca foi minha.
Eu não sei o meu lugar. Nunca fui de lugar algum.
Peço licença ao universo pra passar por aqui. Mas o peso morto que sou não faz eco.
Fechei a porta, quando senti o frio na espinha, fechei os olhos e me desculpei por te-los deixado pra trás. Mas não sou necessário.
"Quer ajudar, não atrapalha", sempre disse.
Eu sou todo atrapalhado, o que mais eu poderia fazer?
O cósmo diz que somos de uma era de confusões. Digo aos astros que a confusão tem como Big Bang meu peito.

E eles continuam falando.

E eu continuo ignorando.

Não sei por quanto tempo.

O poeta que me toma, carrega o ser humano que fui. Como forma de resgatar as memórias que tive como forma de manter-me eternizado na história.
É tudo que sou.
Minhas linhas são mais simbólicas que minhas olheiras.

E eles continuam falando.
Nem entrei em casa. Mas no tapete estão minhas pegadas.

Sozinho, agora, conto quantas vezes morri um pouco. Três eternidades não pagariam minha infância. Meus suspiros não trazem vida, a pendência é grande.
O nascimento foi erro de cálculo.

E eles sussurram.
Eu não grito.

Nem sinto.

Só vive o poeta.
Um dia ele me toma
E a morte sera um soneto psicografado.

Já são.

domingo, 23 de abril de 2017

Nós

Esses dias eu disse que não me importava com mais nada. Menti.
Nada, é muita coisa e eu me importo com todo resto.
Me peguei fazendo contas mentais de quantas coisas seriam possíveis arrumar até te dizer que sou completo. Não perfeito, mas inteiro.
Meu peito fazia grunhidos baixos, reclamações, a cada apontar de possível reação Química. Sempre fui um tremendo covarde. Sabe como é... cão que ladra, não morde. Quem não morde, não come. Eu vivia na sarjeta como cão abandonado, por escolha.
Minha cabeça funciona de uma maneira complexa, cria formas próprias de explicar e sentir o mundo. Qualquer um que tente ajudar, atrapalha. Tira da ordem e se perde na minha bagunça.
Aconteceu.
Você chegou e sentou na pilha de coisas inacabadas que tem por aqui e me fez rir por horas. Disse que tudo bem meus planos, mesmo que utópicos, eu podia vive- los dentro de mim enquanto estivesse aqui.
Parecia que você me cobria numa noite fria e me beijava a testa.
Ainda parece.
Escolhi estar. Ser.
Quando você me disse: "meu amor", eu sabia que não era, (afinal o que é amor pra um químico?!) mas o tom da sua voz fez meu cérebro se desligar. Sorri por impulso.
Gostei.
Não, eu não sou tudo isso. Nem pretendo ser tanto. Quero ser eu. Mas esse eu que tem você. Esse eu que é melhor e mais feliz por você existir.
Tenho planos. Você também. Pouco me importa. Hoje, você dorme comigo?
Não quero ser demais. Quero ser nós, e ver seu olho sorrir quando te abraço após o banho.
E quando formos rodar o mundo, em cada canto do planeta vou dizer: seu corpo ainda é minha paisagem predileta.
Eu gosto de mim. E de você.
Nó de marinheiro no seu peito, pro barco não afundar. O balanço do mar não me da medo, tenho você. E se ele balançar demais, eu ancoro no porto e sou teu cais.
Eu gosto de nós.

terça-feira, 18 de abril de 2017

É uma criança

As vezes a gente briga.
Mas é que gosto de planos e Pedro não entende isso.
Tenho procurado Kant nos letreiros dos ônibus, como se isso fosse resolver meus problemas.
Pedro de distrai com as folhas que caem.
- Presta atenção!
Ele nem me ouve, se distrai com um cachorro na rua.
Não sei o que fazer com tanta pedra no caminho, preciso lapidar algumas e...
- olha fiz um castelo!
- PEDRO!
É difícil lidar com ele, nunca sabe o que quer, me levanta da cama nas madrugadas frias pra dizer que está com medo.
- vamos tomar um remédio, da pra dormir melhor.
- Não Pedro.
- Então acende esse que está do lado da cama.
- Não Pedro, dorme.
A vida bate na minha cara, Pedro ri.
- vocês podiam se calar.
Pedro chora.
Suspiro fundo.
- Veja, tem uma vida amanhã que precisa ser vencida. Já viu quanta gente você tá levando Pedro?
Pedro não se importa. Só chora lágrimas de crocodilo. Nem sente nada. É uma grande farsa.
- Fica quieto aí por favor, você não dorme a 3 dias.
Ele não liga, ta rabiscando minhas paredes. Quebrou o box do banheiro e continua fazendo bagunça. É uma criança.
- Quem você ta chamando de criança?
Cada coisa que esse mundo cria... sou culpado ou responsável por Pedro?
- Te acalma Pedro, hoje não tem remédio, nem isqueiro que acenda o rastilho.
Tinha que ser forte, mas ele não sabia. Estava se distraindo com a folha que caía.
Talvez amanhã, pensei... Quem sabe amanhã.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Perdoa pai

Tem dias que minha alma não tira a roupa pra dormir. Há dias que eu não tiro o tênis quando chego. Tem dias que há dias.
Como você sentiria o mundo se visse dos meus olhos?
Eu não te emprestaria meu peito pra que sentisse o mundo.
Pouco sabem aqueles que já ouviram. Menos ainda quem nunca escutou.
Minha vida segue num curso feito rio que possui nascente, mas não sabe onde deságua. Você que navega, não sabe onde ancora.
A culpa ja é minha por direito, desde que decidi não morrer, dela eu fiz escada pra chegar a redensão.
Desculpa pai, eles não sabem o que dizem.
Desse deserto árido e frio, não sabem a solidão de ser três em um.
Perdoa Pai, eu não sei o que quer de mim.
Poucos são os que seguraram minha mão, ferida. Poucos são os que não tiraram suas conclusões.
Todos disseram: a culpa é sua.
Sou chuva, escorro do seu rosto. Broto em teu peito. Mas dos meus olhos nada surge, não ha tempestade que se crie em mim.
Fui tão longe pra tampar o que via que a escuridão agora te confunde a visão. Eu não sou ébrio.
A volta é longa, tento ser melhor.
O grito ecoa de um lado, o vidro quebrando do outro. Minha cama era bom esconderijo, hoje algoz.
Por dentro fulmino num grunhido quase indiscreto. As tripas me corroem e os vermes me consomem.
Perdoa pai, eu sei o que fiz.
Mas eles nunca saberão.
Do julgamento do mundo fiz minha escada pra redenção.
Um dia o grito alto no teu vidro fino há de me cortar, a culpa me elevará e tudo isso vai brilhar.
Ainda assim, o mundo ainda irá me julgar.
Essa é minha redenção.
Meu silêncio pulsa no seu grito alto.
Perdoa, pai. Eu não perdoei.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Se

Acometido pela loucura. Me perguntei o que seria a sanidade.
Essa raiva toda que sai do teu peito é rastilho de pólvora. O vento não leva, água não dissolve.
Tudo é um brado justo, empreendedores do universo não sabem quanto vale esse fosco pensar.
Se nunca entenderes que a não cresça se converte em algo além do ser, não acreditaria em você.
Um buraco que é aberto no peito faz de escombros uma guerra fria e as palavras estão hoje escondidas, como armas. Nuclear esse viver.
O vazio se enche numa proporção inversamente proporcional a que relutas contra esse cântico agudo do século passado.
Escrevinha. Escreva. Escravinha. De si.
Rupestre o pensar no céu anil, metáfora que não cabe nesse dedo tamanho doze.
Esboça o desespero enquanto se afoga na calma.
Escravinha. Escrevinha. Escreva.
Caiu o céu, o chão abriu, o ser é imenso. Palavras me pulsam como sangue arterial. O silêncio me entope feito veias linfáticas cansadas.
És, pra crer o que vinha.
Foi agora, o que era antes.
Super nova.

domingo, 2 de abril de 2017

Pedro fala demais.

Eu não falo.
Esse peito gaiola tem um pássaro que se debate contra as grades, mas não sai quando arrebenta.
- Onde vai?
- Não sei.
- Volta.
- Não.
- Você ta pirando.
-CALEM A BOCA, VOCÊS FALAM DEMAIS.
- E você nunca fala nada.
Seria mais fácil se o mundo escutasse o silêncio, mas nem eu me escuto. Os gritos mudos desses gemidos em tarde escura são como garfos em prato e sinto meu peito como quadro negro, os pensamentos são unhas.
Se chama agonia.
O pássaro se debate, minha fé é pouca e digo ser grande pra não deixar a raiva transparecer na pele fazendo erosões nos dedos.
O que você sabe de mim? Você que disse que eu não chegaria. Você que disse que o inferno é pequeno. Você que não conheceu o demônio. O que você sabe?
Existem mais verdades em minhas mentiras, é que acredito nelas. Todos meus silêncios são singelos e confesso que a pintura em branco é bela.
Canto "Ne me quitte pas" soltando sua mão. Sou um Van Gogh, sei que a morte me é mais grata que a orelha sem pulso, em vida.
O que você sabe?! Não venha me dizer não, eu sei de mim, e o enredo é triste. Você não sabe. Não sinta dó. Eu não preciso de mais cabeças estourando, já foram 15 pequenas cabeças, dóceis cabeças, inocentes cabeças. Eu vi.
Não me peça pra ser lógico, ou sóbreo.
Eu só não quero lembrar da Páscoa, ou sucumbir nela.
- É culpa da lua.
- cale a boca Pedro, você fala muita merda.
O que você sabe dessas coisas todas? O que você sabe de mim?
- Sei que você finge demais, no fundo ainda se importa.
- Cala boca Pedro.
Pedro sempre fala demais. E talvez esteja certo. Pedro é o pássaro, eu sou a gaiola.
Tem dias que Pedro me sufoca.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Back in time

Coloquei as estrelas na mochila, como se o universo fosse pequeno demais para o tamanho do que há em meu peito.
Meus cadernos tem páginas rabiscadas, linhas sem conclusão. Por vezes, as palavras parecem não existir, não expressam o que tenho a dizer.
Minha cavalaria é grande, retirei suas rédias e agora meus pensamentos são cavalos selvagens, indomáveis. Até por mim.
Sim, eu mesmo.
Conhece?
Nem eu.
Subo e desço do pódio só pra saquear o prêmio. O mundo é lugar de ninguém. Quero devolve-lo a quem...
Fiz as contas e pelo resultado, a chuva irá prosseguir.
Faço sempre as contas, mas as estrelas não se cansam, pulam, pulsam, até que eu esqueça que o universo é pra fora.
Aqui dentro me armei. Acampei. Quando respiro o tesão me toma.
Minha melhor transa.
Gozo da solidão.
Com ela tudo é silêncio. Meus cavalos cantam.
Meus olhos brilham.
As estrelas brilham.
Meu universo é back in time.
Se não conhece o buraco de minhoca esqueça as contas e não volte aqui.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Pior parte.

É que tudo é sobre a mesma coisa.
Que coisa.
Não sei?
Sei que é sempre a mesma coisa.
Ninguém nem mais ouve.
Quem?
Escuta.
Latino, o sangue, vermelha a cor.
Quem sabe.
De que?
Questionam, perguntam, sobre a coisa.
Sobre.
O que?
Eu não me perdi.

Disse Pedro num tom alcoólico quase irreconhecível. É que eu estava longe o suficiente pra não dar ouvidos.
- Ei.
Ouvi. Não entendi.
- Oi?
É assim que se convertem as tão sonaras palavras. Hoje. Quem sabe.
- Você não está entendendo.
- E quem está Pedro?
- Sou eu seu ego ferido, não mude o jogo.

Parei na pedreira. Alta. Estilhaço.
É que hoje, a pior parte de mim

Sou eu.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Die lüge

O que me acalma é não saber o amanhã.
De longe, meu forte era grande, resistente e imponente.
De perto, era pequeno, frágil e não tinha nenhuma vantagem.
Eu não sei mentir.
Pensei não ser possível se afogar no nada. No vazio.
De perto não parecia vazio.
O que me traz paz é que o relento ainda é grande e nele vivo bem.
De perto é frio.
Eu sou covarde.
Certezas são sempre certas, independente do quanto o mundo diga que não.
Peguei as minhas e coloquei na prateleira como troféus. Méritos de quem sabe o que faz mesmo tendo um universos de probabilidades.
O que me acalma é saber que existem outros universos e dimensões e tempos.
O amanhã não existe e é nele que crio coisas impossíveis, com a certeza de que nada será real, como mérito de minhas escolhas.
Eu sei fingir.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Carta aos meus iguais

Quando olhei o mar senti o vento
Quando olhei as pessoas, eram iguais.
Parecia abstrato, como se eu fosse a orelha de Gogh.
As vezes me pergunto o que veem
De tanta história vivida, não sabem o meio
Sufoca o peito
A dor de cabeça que me acomete é talvez o estrondo do que vi
Não há dia que o sol não insista em me acordar
Não há noite que eu não insista em desistir
O pensar é alheio, o sentimento é certeiro
Sou como carteiro: chega, traz mensagem e não recebe bom dia.
Ainda olho o mar e ele me trás alento, era o que eu queria.
Das janelas do mundo, todos olham, vejo todos...
Poucos me veem.
Os que enxergam sabem do peito ferido, mas não sentem o sangue escorrer.
Não coagula.
Sinto como se a areia da ampulheta tivesse parado a tempos.
Meu corpo está sedado à tempos.
Ando descalço pra sentir o chão, pois todo resto me é alheio
Sinto vontade de acabar com o mundo Pequenos fragmentos reluzentes
Tao brilhantes quanto essa confusão que se instalou
Olho o mar, ele está ao relento...
A orelha de Gogh agora é valiosa
Como estrela que brilha, depois que morre.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Existir

O nome disso é vazio. Um amontoado de coisas que não preenche nada. Um caminhar certo que leva pra direção errada.
Quem disse que o topo do penhasco trazia medo? Ele traz sorte.
Quando se está no topo de tudo, nada parece conveniente, pois tudo que vem do nada alguma hora se maquia de tudo que precisa.
É um paradoxo anormal, um vortex que emabaralha o córtex. Nesse estado atemporal penso que tudo se cria, mas não crio nada, porque o buraco de minhoca é grande.
Ainda não entendi o niilismo de Nietzsche.
A marca no cimento fresco é fundo, meu passo na terra é rápido, quero acabar logo essa jornada. Mas não sendo Star, só vejo Wars e não reconheci meu pai.
Meus livros se aposentaram, quero chegar em casa mais cedo, correndo de Atena, abraçando Morfeu, quantas analogias mais tenho que fazer eu?
O poeta cansou e a tinta secou.
Segundo a biologia tudo muta, nada se cria. A sociedade faz o indivíduo.
Estamos equivocados em criar uma nova narrativa.
Soma total do produto.
O nome disso é vazio, algo que se cria no nada, dentro de seres vazios que procuram o caos em meio a paz e Froid diria:
Vocês estão loucos.

Não

- Não.
Não é uma palavra muito relativa.
Não querer. Não poder. Não fazer.
Quantos universos existem em um "não"?
Olhando o cachorro na sarjeta, penso que a vida é mesmo medíocre.
Mas, não, é.
A mente humana é tão vasta e cheia de conexões, como podemos ser tão pequenos?
Ou, não?
As estrelas são tantas, Carl se contorce com nosso ego.
E disse não.
Como se não houvesse mais certeza na vida que um não.
A bandeira arriada a meio mastro.
Não.
Mesmo que os latidos sejam ensurdecedores a meia noite, me pergunto que silêncio seria mais amedrontador que um não.
Assobio uma canção de ninar, como quem chama Fred pra dormir. Olho embaixo da cama por medo do bicho-não-papão.
- Que surto é esse Pedro?
- Surto? Eu? Não....