Ao ouvir Pessoa dizer: O que hei de pensar? Grito como num surto: NADA. E Pedro me lança um tapa na cara.
A verdade é que a dúvida traz uma pureza infantil que não sabemos lidar por sermos cognitivos demais.
Eu amo o mundo. Eu sou feito de amor. Me pulsa nas veias o Ágape, respiro Philos, mas sou movido pelo Eros. Eu sou feito de amor, num poço tapado.
A Inocência da criança, que já habitou em mim, corre das borboletas. A criança que sou conversa com o Cosmo, como um Pai atencioso. Ele me acalanta, e eu filosofo. Ele me diz: Brinca. Pedro pula, e eu o olho com reprovação.
Temos pouco tempo pra decifrar o mundo, nesse poço tapado.
Mas me questiono como há tijolo sob tijolo, e de que é feito o cimento que os une, como se apenas coisas concretas fossem reais por fora e não houvesse metafísica em coisa alguma que toco.
Deito e levanto no mesmo lugar, com minhas dúvidas de travesseiro fazendo meus sonhos reais demais pra serem vividos nas três horas de sono.
Pergunto então ao Pai,o que houve com Pessoa, e Abreu, e comigo, e com o amor. Ele me diz coisa alguma. Não há filosofia escrita que explique as questões perturbadoras de uma criança que nunca foi infantil.
Talvez a resposta do meu ser estivesse naquele sonho que eu não soube decidir se "creme" ou "doce de leite" em 1999.
Os pés que firmam o ponto que sou transformam-se em reticencias, mas eu não sei escrever linhas atemporais.