domingo, 26 de maio de 2013

Sem final.

Meu corpo era como um livro para ela, seus olhos me corriam do começo ao fim tentando entender cada linha. Suas mãos me tocavam com a leveza que se vira uma página e ela me cheirava com a paixão de quem cheira um livro novo. Ela sabia que não era fácil entender as palavras complexas que ali existiam e sabia também que algumas partes não faziam sentido, entretanto todos os dias ela lia e relia cada linha. Algumas vezes eu já a vi franzir os olhos demonstrando indignação, outras vezes a vi voltar a mesma frase devido a dislexia, mas nunca a vi parar de ler no meio da frase, muito menos se contentar com um ponto final. Por mais que seus olhos mareassem depois de um dia cansado, ela ao menos tentava começar a ler minhas linhas e confesso que por muitas vezes eu atirei minhas letras a ela pra que seus olhos não doessem.
Ela nunca foi uma amante de livros, mais a esse livro sem final ela já retornou várias vezes.

domingo, 19 de maio de 2013

De repente a gente vê que perdeu ou está, perdendo alguma coisa...

Ela se jogou pro mundo como quem se joga na cama depois de um dia cansativo. Quis agarrar a vida com as mãos sem saber que ela escorre como areia entre os dedos. Procurou o encanto de "Era uma vez" e só encontrou no "paraíso proibido". Sem saber que tempo corre ela tentava tirar o vazio que o mundo deixará enquanto ela dormia. A cada dia uma gota de lágrima se revertia em vontade de atravessar os dias correndo e só parar no fim dessa estrada. Da onde vem a força pra tanto desgosto, pra que o desgosto de tanto esforço?
Ela se jogou em meus braços procurando a paz de um colo materno, seus olhos eram como dias nublados, e imploravam que meus olhos fossem o sol a findar a chuva. Todos os dias ela me gritava com calmaria: Quem eu sou? Ela não se achou, mas eu também não sei quem sou.