Hoje acordei com a mesa posta,
no prato uma merda ainda quente e fedendo.
Encarei por alguns minutos aquilo que me ofereciam,
sem saber se conseguiria engolir.
A anos me dão as sobras pro jantar,
e os restos no almoço,
a falta do alimento me deixou fraca, sem vida, sem esperança...
Mas sinto aqui, dentro de mim, uma fome insaciável
Uma fome que começou a tomar conta dos meus nervos a ver aquela merda posta.
Me perguntei se eu deveria come-la ou morrer de fome,
se eu deveria mastigar, fechar os olhos e sentir a náusea vir,
a vontade de expelir,
aquela merda toda descendo pela minha garganta,
arranhando minha alma,
e ainda sorrir pois foi me dada de bom grado.
Levantei atordoada, sentindo que os pratos são frágeis e os talheres de plástico.
A fome que grita pulsante em mim, a anos, parece ter tomado conta.
Acontece que a dor de ver aquela merda ali, no meu prato, enquanto sinto fome me causou dor.
A dor é parte pequena da fome que sou.
Estou encarando meu prato algumas horas, nada faz sentido: a mesa, os pratos, as cadeiras...
Já engoli essa refeição tempo demais e essa fome é matéria que você não alcança.
Aprendi algo com esses alimentos requentados, me levanto atônita, vingança só é prato frio pra quem tapa os olhos. Nós ainda sentimentos a vingança quente, fervendo, pulsando, escorrendo... E não é essa merda posta mesa que matará a minha fome.
Não hoje.
E sempre.
quinta-feira, 15 de março de 2018
terça-feira, 13 de março de 2018
versos rápidos
as vezes o peito aperta numa dor quase irremediável
e penso: o que é irremediável?!
O amanhã?
Ontem é apenas um cupim que corrói toda a parede do hoje.
Nada é tão concreto que não possa ir ao chão,
Nenhum peito é tão forte, que não inunde.
O que é de fato real?!
O que ficará pro amanhã?
Ontem era tudo tão real!
O hoje é irremediável, não espera, não acontece.
Amanhã será cinza e cinzeiro, lata e ressaca.
E o hoje?!
Ontem fui o que eu seria hoje, mas o quer seria de mim amanhã?!
Eu nunca sei o que sou até ser, eu nunca serei até que entenda o que fui.
Uma única cabeça não pode pensar tantas vezes...
Se, talvez, amanhã eu for, amanhã serei.
Quem dirá ,então, que da taverna surgiu o poeta que te devorou?!
e penso: o que é irremediável?!
O amanhã?
Ontem é apenas um cupim que corrói toda a parede do hoje.
Nada é tão concreto que não possa ir ao chão,
Nenhum peito é tão forte, que não inunde.
O que é de fato real?!
O que ficará pro amanhã?
Ontem era tudo tão real!
O hoje é irremediável, não espera, não acontece.
Amanhã será cinza e cinzeiro, lata e ressaca.
E o hoje?!
Ontem fui o que eu seria hoje, mas o quer seria de mim amanhã?!
Eu nunca sei o que sou até ser, eu nunca serei até que entenda o que fui.
Uma única cabeça não pode pensar tantas vezes...
Se, talvez, amanhã eu for, amanhã serei.
Quem dirá ,então, que da taverna surgiu o poeta que te devorou?!
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