segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Coitado.

Eu me fazia de pobre coitado. Era o que eu dizia, um pobre abandonado. Ar desesperado, cheirando a bêbado desolado. Cheiro de cachorro molhado, com palavras de filosofia barata.
Ela sempre vinha. Era assim que sempre vinha. Eu adorava. A insignificância de me importar com nada.
Apagava as luzes das ruas, me fazia de carro desgovernado, abaixa o farol e dizia: Guia!
Me dava a corda, eu me pendurava e dizia: Me sirva.
No fundo eu adorava. Me arranhava. Me chupava. Manchava a cama, o lençol, com tudo que é mais barato e impuro. Riscava minha pele de arranhões. Pintava meu corpo de chupões.
Pobre coitado, eu acordava sempre desnorteado, como um carro capotado. Bêbado desalinhado eu acordava como quem tinha apanhado. Cachorro molhado, eu acordava como quem vagara. Mas no fundo eu adorava.
Eu me fazia de santo bendito, me aprumava e enfeitava. Ela me vinha de batom que só ousava sujar num trago de cigarro, de marca ruim. Se insistisse muito, borrava na borda de uma lata barata de cevada.
Me fazia de maldito, tirava logo a sanidade, botava de canto. Sujava a mão, com toda maldade e me fazia de cão sem dono.
Só pra ver no peito;
Na boca;
Em mim;
Hematomas de um tombo de paixão.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Poema de encanto, pra ver se te encontro.

Seus olhos eram negros, feito a noite. Fundos feito marca de açoite.  Quando me fitava com aquele olhar sem vida, arrepiavam minha alma até percorrer minha pele.  Eu cambaleava entre a sanidade e o tesão.  Eu cambaleava numa dança tão desritmada quanto seus cabelos levemente ondulados, que iam e vinham, bagunçando tudo o que ela insistia em arrumar, vinham e iam dando vida aos traços tão imperfeitamente lindos do seu rosto. Tudo era negro, seus olhos, a pele morena, o cabelo escuro e sua alma obscura.
Roça. Atiça. Vai embora sem despedida. Nunca me vem, ou se vai. Nunca me tem, nem se aproxima. Não se doma o coração de um poeta. Ela nunca escreverá uma palavra. Me tinha. Eu indomável poeta. Pedia que ficasse, sem despedida, se ia. 
Não me lembro em qual copo de bebida a encontrei. Nem em qual esquina a vi. Não recordo  qual penumbra guiou minha mão em suas costas (que abrigavam minhas digitais em suas covinhas, ali ao fim das costas).  Nem sei o seu nome (qual dos nomes da minha agenda?). Eu tenho seu número?

Foi  a miragem mais real que tive. A realidade mais surreal. 

terça-feira, 15 de julho de 2014

Mais fácil aprender japonês em braile que...

Olha moça, eu sei que você não ta acostumada com essa coisa de ser feliz, mas escute com atenção...
A bebida de hoje foi café, tão forte e amargo quanto a tua presença. De cheiro tão embriagante quanto a sua pele ao amanhecer.
Eu sei que é bom, eu até gosto de bebe-la, mas sempre tem o gosto amargo que sobra no final de tudo.
Eu não sou um café mal passado, menos ainda aquele doce de apaixonado. Eu posso até ser um amargo, como você. Mas vai me dizer se você não insiste em beber?
Derruba o copo, desastres acontecem (principalmente com você), eu sei que tu se arrepende quando vê tudo manchado.
Pouco me importa se você vai me beber por inteira ou só pela metade, se vai derrubar o copo e manchar a sanidade, mas a cada gole dado, reflita: eu não sou um café mal passado.
No final de tudo, no fundo desse copo, eu ainda sinto o gosto doce na boca que seus goles me deram, mas o amargo desce na garganta me lembrando que você, também, não é café de apaixonado.

sábado, 14 de junho de 2014

Erros gramaticais propositais.

Momento de insana loucura
Loucura essa que me toma os olfato, tato e visao.
Entro em transe, nessa viagem sem explicaçao.
Como posso eu ser tomada por essa sensação?
É como se nada existisse, o mundo toma outra forma.
Você me traz o que não sei querer. Me faz sentir o que não sei usar.
Longe de você eu fico em um lugar seguro, perto você me transforma.
Pego aquele copo de bebida, vendo a fumaça do cigarro subir enquanto o gosto amargo devora, pra depois ouvir você dizer que é esse cheiro que adora.
Fui o fel, o rancor e o desleicho, eu te avisei que não fui feita pra essas cenas romanticas. Mas foi tudo pra ver você salivando meu beijo.
Loucura insana nesse momento.
Fujo pra te proteger de mim, me escondo pra afastar você, mas no fim é só pra ler um 'saudade' e ver que ainda não fui pro esquecimento.
Bukowski estaria entendiado com essa história, ou sentaria tomando mais um drink pra ver seus olhos nus que aos poucos me engoliriam.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Só puteiro.

Abri os olhos, plena segunda-feira. Eu poderia sentir cheiro de puteiro, mas abri os olhos e vi saudade em todos os quatro cantos do quarto. Havia uma cama vazia, sem uma tela, e no canto direito um copo sem água à semanas, a camiseta sem cheiro devido a lavagem estava guardada na caixa dentro do guarda-roupa a minha frente.
- É apenas um surto. Eu pensei.
O cheiro que vinha da cozinha era de carne moída. Me levantei vagarosamente, esfregando os olhos que ainda relutavam para permanecerem fechados, na panela a carne se juntava a batata.
 - Pô mãe, tu não é vegetariana? Resmunguei.
Meu dia foi longo, sem bom dia ou boa noite, sem bilhete na cama, sem 'como foi o dia' ou 'como está a noite', sem te amo.
Meus dias eram sempre longos.
Eu podia ter acordado com o cheiro de puteiro, eu gosto assim, a ressaca, o cheiro de cigarro na mão, o arrependimento do dia anterior.
No lugar que me fiz nunca existiu presente, só passado, com um sorriso de alegria forçado.
Mas eu só acordei com a saudade dançando nos quatro cantos do quarto, deixando em destaque tudo que eu vejo todos os dias.
- É só um surto. Repeti
O dia passou, re-passou, eu amei e re-amei, no mesmo longo dia...
Eu já havia me acostumado a ver tudo em preto em branco, mas tinha dias que eu queria seus olhos, eu queria ver tudo colorido novamente.
- Que cheiro de pu... Saudade.
Devia ter acordado sentindo o seu cheiro, mas eu só acordei tentando entender quanto tempo dura uma vida.
Eu nem queria  sentir o cheiro de puteiro, eu nem queria ser fria assim, só queria tirar uma foto de uma rosa qualquer e te desejar bom dia, mas eu precisava de um motivo que me fizesse ruim o bastante, que me fizesse ser pior do que eu nunca fui, só assim minha mente entenderia que você não voltaria.
Fumei.
Deitei.
Torcia pra acordar sem querer seu cheiro.
Sem saudade.
Só puteiro.

domingo, 30 de março de 2014

Era um dia de primavera, aqueles dias gostosos: nem quente, nem frio.

Eu estava encostada numa pedra escutando o silêncio da água correndo, meus olhos entreabertos devido o sol que se punha com força no horizonte. Ela estava parada na minha frente, sorria de canto e tentava me olhar nos olhos, mas eu não deixava. Minhas mãos estavam por trás do meu corpo, as palmas viradas pra pedra gelada. Ela continuava me encarar. Num súbito momento de deslize eu a encarei... Nos olhos. Foi tão bom que eu pensei ter sido abduzida para outra dimensão. Antes que eu pudesse pensar nos meus atos minhas mãos já estavam encaixadas nas curvas da sua cintura e eu puxei o seu quadril contra os meus, seu corpo vacilou caindo sobre o meu. Agora estávamos nós duas, coladas uma a outra, eu na pedra e ela em mim. Ela continuava me olhando nos olhos, mas eu já não sabia se olhava pros olhos ou pra boca que agora estava semi-aberta, implorando que eu a beijasse de uma vez. Mas eu sempre gostei de jogos, com uma das mãos eu senti toda a lateral do seu corpo até que chegasse a sua nuca, apenas com as pontas dos dedos pressionei sua pele e fiz com que seu rosto ficasse a milímetros do meu, nenhum dos olhos permaneciam abertos mais. Meus lábios foram percorrendo os dela, vagarosamente, e quando vinham pra se encaixar com os meus, eu levava o queixo pra trás, eu sentia o seu corpo cada vez mais grudado ao meu, eu juro que não queria sair mais de lá. As mãos dela seguravam o meu rosto com força pra tentar impedir que meus lábios fugissem, foi quando senti o calor da língua passando em meu lábio inferior, eu não sei como foi, só sei que em questão de segundos minha palma da mão estava completamente agarrada a sua nuca, meu outro braço havia sido entrelaçado envolta da sua cintura e nossos lábios já haviam se encaixado completamente.


Agora eu não ouvia mais o barulho da água, só da sua respiração.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Cheiro de café fresco, que invade o olfato, logo pela manhã. Essa foi a sensação que eu tive, a sensação de estar tomando uma xícara de café quente. Lá no fundo tocava “Eduardo e Mônica” daqueles caras bem conhecidos, sabe? E aí ela disse:
- Hey, vamos ver o mar! Já pensou que louco? (Na verdade, foi céu que ela disse, mas por algum motivo “mar” ficou mais legal nessa frase.)
Eu fiquei pensando, me questionando, se eu deveria mesmo ver o céu se ela tinha uma galáxia imensa no olhar.  Mas isso é patético, convenhamos, então eu só disse:
- Vamos, vamos! Tu tinha falado daquela cachoeira lá não é?
Por algum motivo desconhecido, fez uma careta, um quase sorriso de confirmação. Aí eu não aguentei:
- Tuas bochechas são amor.

Ultimo gole de café, um ultimo trago e fumaça pro ar. Eu só me toquei quando a música acabou. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Pensamento de uma suicida.

Foi estranho encontrar uma pessoa que matei a alguns anos... É, eu te matei. Você nunca esteve nos meus planos, apesar de ser você que me deu a chance de ter planos. Eu nunca esperei nada de você, mas juro que me confundi quando te ouvi. Você sabe que não é forte e eu também sei, nenhum de nós é bom o bastante... E se nós nos internarmos juntos? Podia ser uma solução. Eu só sei que eu ouvi de você, depois de ter te matado, eu ouvi de você e se quer saber  foi uma grande bosta, porque eu provei pra mim que essa frase é nada mais do que meras palavras, são apenas letras formando uma palavra que todo mundo quer escutar, mas que no fundo não carregam sentimento nenhum. Talvez o psicólogo esteja lá me esperando, talvez o fim da semana seja o fim da vida ou minha vida seja apenas o fim da sanidade. Eu só sei que você veio, com essa cara de quem vai morrer amanhã, e todos vocês vieram como quem vai me abandonar amanhã  e o fizeram, e a culpa? Não, não é de vocês, sempre estiveram certos quando diziam que o erro era meu, porém eu nunca escutei, agora é a hora de  olhar pro passado e dizer: pra que futuro? São apenas pensamentos de um suicida. 

sábado, 22 de março de 2014

Conversa de bar.

Eu disse:
- Sei lá, eu já não sei, sabe?
-Sei.
A gente riu... De desespero.
- Eu só não sei, cara, é louco.
- To ligada.
- Acho que já vivi meu amor da vida, e ele acabou.
- Então, o que resta agora?
- Sei la, acho que acabou.
- “Cê” ta que nem eu.
- Perdida?
- É, cara.
- Meu, o que te da prazer? Sei lá, o que tu quer fazer da vida?
- Acho que não tenho prazer em mais nada.
- Hum... Nem eu. Meu “pra sempre” já foi, ta ligada? Mas isso fudeu minha mente, nega.  E agora? O que eu faço?
- Sei lá.
- É...
Silêncio.
- Vamo embora? (eu disse)
- Pra onde?
- Pra lá, cara.
- Vamo!
-Ta falando sério?
- Sério, quero sair daqui mesmo. É por ela?
- Não, nada a ver, só é um lugar legal, você ia gostar.
- Então vamo.
- Até o fim do ano?
-  Até o fim do ano.
Eu sabia que não era verdade, nem me faria acreditar na vida, mas a ideia de estar lá...

quinta-feira, 20 de março de 2014

Déjà vu.

Tudo começou com um déjà  vu.  Um eterno déjà vu.  Depois de muitas semanas eu percebi que não era uma reação psicológica, eu realmente já havia vivenciado aquela situação, na minha cabeça, eu mesma já tinha feito aquela situação, eu sempre soube o ponto aonde chegaríamos, não era apenas uma sensação.  Eram dias comuns, sempre são comuns, e eu não era nada, eu não tinha nada, eu não queria ser nada, mas tinha um buraco nessa linha de tempo, a poucos dias atrás eu tinha em mim todos os sonhos do mundo. Espera, pensei, eram meses atrás, eu estava perdida.
Num passado eu sabia exatamente o que iria acontecer, seu amor era o décimo terceiro salário que esperei o ano inteiro e quando veio se foi antes que algo pudesse ser feito.  Isto nunca tinha sido um déjà vu, disso eu tinha certeza.  Como eu podia ter sido tão egoísta? Prometi cuidar das suas feridas, porém te dei apenas o lado pessimista. Você, pessoa feita, nunca me deixou duvidar do que era. Já eu que nada sou, te deixei a sensação de culpada.
Eu amava tudo em você. Tudo que era pra mim, tudo que era meu, tudo que atingia a mim. Isso sim era novidade, nem tive tempo de ter um dájà vu, era uma sensação nova a cada bom dia, desde quando vinha por mensagem até quando vinha acompanhado de uma cara de sono e um sorriso de canto de quem não queria levantar. Eu amava o que eu era, o que eu tinha, o que eu sonhava. Eu amava até mesmo o fato de me sentir boba, por você.
Tinha em mim um sentimento que eu nunca quis, que nunca acreditei, mas não reclamaria nem por um segundo de ter aprendido a sentir. Ainda não reclamo. Eu havia feitos planos, que patético, mas que delicia era acreditar. Brilhava meus olhos ver o que a gente era e o tanto que tínhamos corrido, ainda brilham. Foi o conto de fadas mais lindo que já ouvi e se eu fosse ter filhos eles escutariam também.
Mas eu já sabia aonde chegaríamos antes mesmo da estrada ser trilhada, eu já sabia, não era déjà vu.
Eu não deveria ter errado tanto. Não deveria ter sido tão egoísta. Eu vivo no inferno de Dante, um suspiro eterno de cansaço, tenho uma bagagem tão pesada quanto de uma gestante, eu nunca poderia ter te feito dividi-la comigo.  Hoje sinto o peso do fardo e não entendo como eu pude fazê-la sentir comigo. Quão otária eu fui de ter te colocado nesse mundo de ponta cabeça que é minha vida? Eu não sei. Pedir desculpa é tão inútil quanto te pedir pra esquecer? Acho que sim.  E quando a gente acha que não pode piorar vêm os dias, o amadurecimento e a overdose de cafeína (como costumo chamar), e no meio disso tudo eu entendi o quanto fui idiota. Pensei ser a pessoa certa pra você e estava mais pra um corte de folha no dedo que arde, mas a gente gosta. Eu era tudo que você não gostava, eu não tinha nada em mim que valesse a pena e nunca fiz nada pra mudar, eu nem me dava ao esforço de tentar mudar as coisas, eu era um nada fingindo ser tudo.
Praguejei por muito tempo, gritei aos sete ventos o quanto te odiava, questionei dia após dia o que seria de mim, do futuro, do sentimento. Não queria ter que admitir que te perdi, que não voltaria,  só pensava em mim e no bem que havia me feito. Eu que sempre disse que estaria sorrindo se você estivesse sorrindo, coloquei a culpa em tudo, em todos, menos em mim. Fui uma hipócrita, de amor doentio.  

Na minha vida nem tudo é ruim, não sou assim, mas confesso que a melhor parte foi você. História curta perto do que eu havia planejado, porém linda perto do que eu tinha a oferecer. Não cresci, nem sou melhor, mas aprendi a te ver sem mim. Nada de drama, eu realmente voltei a sorrir se estiver sorrindo. Eu não serei tão egoísta mais, levo minha bagagem sozinha agora, a bagagem da vida, do amor, do tempo, me mande as suas inclusive. Agora eu percebo que te ver construindo um castelo de pedra e não de areia, é o amor mais puro que posso te dar. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Penso, logo existo.

Certos tapas da vida a gente cambaleia, mas depois cria indiferença e devolve.
Eu olho pro céu e a lua me faz sentir menos viva, o tilindar dos ponteiros só me provam que existo.
Quanto tempo eu corri neste caminho? Quantos buracos tive que escalar pra poder ouvir suas palavras verdadeiras?
Sentada em meio a tanto barulho, que eu já não sei se vem de dentro da minha alma ou da avenida que me encontro, eu procuro todos que me disseram verdades e percebi o quão podres foram.
Eu não me sinto viva, dentro desta pele machucada existe sangue e eu o sinto escorrendo a cada soco dado, mas não me sinto viva.
De todas as suas palavras falsas eu fiz meus curativos, de todos os meus dramas eu fiz minha raiva e de toda vontade de que volte eu me refiz.
Virei o que abominava, quando ninguém me escutava, disseram.
Eu to bem.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ah, a solidão.

“Deitei na cama, abri a garrafa, dobrei o travesseiro nas costas para ter um bom apoio, respirei fundo e sentei na escuridão olhado a janela. Era a primeira vez que eu estava sozinho em cinco dias. Eu era um homem que se fortalecia na solidão; ela era para mim a comida e a água dos outros homens. Cada dia sem solidão me enfraquecia. Não que me orgulhasse dela, mas dela eu dependia. A escuridão do quarto era como um dia ensolarado pra mim.”

(Charles Bukowski)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Mesmo calada a boca, resta o peito.

Era tarde da noite, daquelas bem quentes, a lua amarela até parecia um sol. Eu sempre confiei nela... A lua cheia.
Eu a encontrei sentada num banco, ela e todo seu ar de arrogante.
- Oi. Eu disse
Ela me respondeu alguma coisa, mas seus olhos eram tão lindos e eu olhava no fundo deles, eles me sugavam a vida, me hipnotizavam, neles eu via toda sua alma e eu me apaixonava por tudo que eu via.
- Oi. (Acho que foi o que ela disse).
- É... Noite bonita não é? Tentei não vacilar a voz enquanto desviava meus olhos dos seus.
- Uhum. Ela murmurou.
- Como está? Foi o que eu disse, mas na verdade eu pensava: O que aconteceu com você? Nem mesmo o calor da minha presença faz-te palpitar o coração?
Mas não consegui chegar em uma conclusão, ela começou dizer que estava bem e falar sobre seu dia e... Como aqueles lábios eram lindos, pequenos e delicados, eu lembrava da maciez deles se encaixando nos meus lábios carnudos. Eles se moviam e eu não conseguia parar de olhar...
- Que bom que está bem. Eu havia escutado tudo o que ela disse, mas confesso que os lábios me roubaram a atenção.
De repente, enquanto ela me dava seu silêncio e os grilos faziam uma bela sintonia, eu via todos os meus sonhos dentro de seus olhos, sorria feito besta ao lembrar da camisa larga e as pernas à mostra, eu desejava seus lábios e as viagens que eles fizeram em meu corpo. Mas antes que meus lábios se abrissem pra dizer a ela todo esse mundo de sentimentos que me tomavam, ela se levantou...
- Adeus.
Essas palavras tomaram meus ouvidos e num segundo eu paralisei em sua imagem ficando cada vez mais longe, cada vez mais dolorido em mim. Meus lábios tremiam ao tentar gritar qualquer pedido, qualquer coisa que a fizesse ficar, mas a única coisa que ficou foi o cheiro da falta, a presença da solidão.
Um vazio se fez, ela levou seu coração, mas ficou com o meu. Ela levou todos os meus sonhos e suspiros, a melhor parte de mim, mas deixou as lembranças a pairar sobre minha cabeça e a sensação de uma aliança que não existe.
E eu fiquei sentada, observando ela se afastar, eu estou aqui sentada, esperando ela voltar.

sábado, 25 de janeiro de 2014

A gente se dá ao luxo de nada.

O sol se pôs e voltou a nascer
Daqui as estrelas lembram tanto você...
Um amor platônico, real,
Quando a gente sabe se é normal?
A lua perguntou de você,
Mas nem o porteiro sabe responder,
Eu também não sei não,
Mas o horizonte é tão longe...
Por que é que foi se esconder?

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Só você.

"Morena do sorriso grande que me prende
O gosto do teu beijo não sai da minha boca
E você da minha mente
Difícil dizer o que se passa em mim
Quanto te vejo
Me vem só um desejo
Ler pensamento
Bobo, eu ainda tento
Repetir aquela noite
De... Acaso, destino e sorte
Em que sua boca era só minha
Meu peito aqui
E te vejo sozinha
Estudante aplicada
Tão linda quanto complicada, me abrace
Me deixe te fazer sentir segura
Nos teus olhos encontrar minha estrada
Me deixa bem devagar
Te mostrar
Como é bom ser... Amada!
Deixa? "

Michael Jhonny Livino.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Em mim, todos os sonhos do mundo.

Se em mim há tantos sonhos quanto no mundo, o mundo eu hei de ser.
Dos meus olhos caem águas tão salgadas quanto os mares, talvez eu tenha chorado oceanos.
Se ao fechar os olhos, estrelas me tomam a visão, quem sabe dos astros eu não saiba bem.
Do chão de terra batida meus pés já usufruíram, mas do asfalto civilizado já estão bem "amigados".
Palavras formadas por histórias me tomam os ouvidos e eu já nem fujo da realidade.
Quiça nesse mundo velho sem porteira, eu já tenha percorrido de outras vidas. 
E mesmo meu corpo jovem com alma de velha, não entende o que ocorreu. E essas mãos que já não largam a caneta, sem distinguir realidade e ilusão,estão confusas. E mesmo tendo em mim, um mundo todo de certezas, não entendi como poderia existir algo tão indecifrável quanto o seu cheiro ao passar por mim.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Se você me sorri o mundo há de se iluminar. Mas se você sorri ao léu, os dias são todos iguais.
Ela me vinha todos os dias, com o seu sorriso de menina.
Me aninha e me mima, me briga e me estranha.
Só vinha quando queria, mas nunca de mão vazia.
Mão direita com carinho, esquerda com aninho.
Fazia do tilintar do relógio, segundos eternos e inacabáveis.
Meus dias são de par em par, sorrio apenas por sua existência.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Seus olhos tinham a cor da coisa mais linda que eu já havia visto.
Seu riso ecoava em meus ouvidos como a mais bela música.
Ela estava ao meu redor, em tudo, até na brisa gelada.
Bastava eu fechar os olhos e o arrepio surgia. Era como lembrar do batimento ritmado com a respiração aliviada por saber que estava no lugar mais seguro.
Eu havia o criado para meu deleite, não existia no mundo real, nele nem se quer corria tempo. Criado dia-adia com a paciência de um monge, com todo luxo que uma princesa merece.
Mas princesas sempre procuram príncipes, e eu nunca fui um.