Era um dia de primavera, aqueles dias gostosos: nem quente,
nem frio.
Eu estava encostada numa pedra escutando o silêncio da água
correndo, meus olhos entreabertos devido o sol que se punha com força no
horizonte. Ela estava parada na minha frente, sorria de canto e tentava me
olhar nos olhos, mas eu não deixava. Minhas mãos estavam por trás do meu corpo,
as palmas viradas pra pedra gelada. Ela continuava me encarar. Num súbito momento
de deslize eu a encarei... Nos olhos. Foi tão bom que eu pensei ter sido
abduzida para outra dimensão. Antes que eu pudesse pensar nos meus atos minhas
mãos já estavam encaixadas nas curvas da sua cintura e eu puxei o seu quadril
contra os meus, seu corpo vacilou caindo sobre o meu. Agora estávamos nós
duas, coladas uma a outra, eu na pedra e ela em mim. Ela continuava me olhando
nos olhos, mas eu já não sabia se olhava pros olhos ou pra boca que agora
estava semi-aberta, implorando que eu a beijasse de uma vez. Mas eu sempre
gostei de jogos, com uma das mãos eu senti toda a lateral do seu corpo até que
chegasse a sua nuca, apenas com as pontas dos dedos pressionei sua pele e fiz
com que seu rosto ficasse a milímetros do meu, nenhum dos olhos permaneciam
abertos mais. Meus lábios foram percorrendo os dela, vagarosamente, e quando
vinham pra se encaixar com os meus, eu levava o queixo pra trás, eu sentia o
seu corpo cada vez mais grudado ao meu, eu juro que não queria sair mais de lá.
As mãos dela seguravam o meu rosto com força pra tentar impedir que meus lábios
fugissem, foi quando senti o calor da língua passando em meu lábio inferior, eu
não sei como foi, só sei que em questão de segundos minha palma da mão estava
completamente agarrada a sua nuca, meu outro braço havia sido entrelaçado
envolta da sua cintura e nossos lábios já haviam se encaixado completamente.
Agora eu não ouvia mais o barulho da água, só da sua
respiração.
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