domingo, 30 de março de 2014

Era um dia de primavera, aqueles dias gostosos: nem quente, nem frio.

Eu estava encostada numa pedra escutando o silêncio da água correndo, meus olhos entreabertos devido o sol que se punha com força no horizonte. Ela estava parada na minha frente, sorria de canto e tentava me olhar nos olhos, mas eu não deixava. Minhas mãos estavam por trás do meu corpo, as palmas viradas pra pedra gelada. Ela continuava me encarar. Num súbito momento de deslize eu a encarei... Nos olhos. Foi tão bom que eu pensei ter sido abduzida para outra dimensão. Antes que eu pudesse pensar nos meus atos minhas mãos já estavam encaixadas nas curvas da sua cintura e eu puxei o seu quadril contra os meus, seu corpo vacilou caindo sobre o meu. Agora estávamos nós duas, coladas uma a outra, eu na pedra e ela em mim. Ela continuava me olhando nos olhos, mas eu já não sabia se olhava pros olhos ou pra boca que agora estava semi-aberta, implorando que eu a beijasse de uma vez. Mas eu sempre gostei de jogos, com uma das mãos eu senti toda a lateral do seu corpo até que chegasse a sua nuca, apenas com as pontas dos dedos pressionei sua pele e fiz com que seu rosto ficasse a milímetros do meu, nenhum dos olhos permaneciam abertos mais. Meus lábios foram percorrendo os dela, vagarosamente, e quando vinham pra se encaixar com os meus, eu levava o queixo pra trás, eu sentia o seu corpo cada vez mais grudado ao meu, eu juro que não queria sair mais de lá. As mãos dela seguravam o meu rosto com força pra tentar impedir que meus lábios fugissem, foi quando senti o calor da língua passando em meu lábio inferior, eu não sei como foi, só sei que em questão de segundos minha palma da mão estava completamente agarrada a sua nuca, meu outro braço havia sido entrelaçado envolta da sua cintura e nossos lábios já haviam se encaixado completamente.


Agora eu não ouvia mais o barulho da água, só da sua respiração.

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