quarta-feira, 8 de março de 2017

Back in time

Coloquei as estrelas na mochila, como se o universo fosse pequeno demais para o tamanho do que há em meu peito.
Meus cadernos tem páginas rabiscadas, linhas sem conclusão. Por vezes, as palavras parecem não existir, não expressam o que tenho a dizer.
Minha cavalaria é grande, retirei suas rédias e agora meus pensamentos são cavalos selvagens, indomáveis. Até por mim.
Sim, eu mesmo.
Conhece?
Nem eu.
Subo e desço do pódio só pra saquear o prêmio. O mundo é lugar de ninguém. Quero devolve-lo a quem...
Fiz as contas e pelo resultado, a chuva irá prosseguir.
Faço sempre as contas, mas as estrelas não se cansam, pulam, pulsam, até que eu esqueça que o universo é pra fora.
Aqui dentro me armei. Acampei. Quando respiro o tesão me toma.
Minha melhor transa.
Gozo da solidão.
Com ela tudo é silêncio. Meus cavalos cantam.
Meus olhos brilham.
As estrelas brilham.
Meu universo é back in time.
Se não conhece o buraco de minhoca esqueça as contas e não volte aqui.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Pior parte.

É que tudo é sobre a mesma coisa.
Que coisa.
Não sei?
Sei que é sempre a mesma coisa.
Ninguém nem mais ouve.
Quem?
Escuta.
Latino, o sangue, vermelha a cor.
Quem sabe.
De que?
Questionam, perguntam, sobre a coisa.
Sobre.
O que?
Eu não me perdi.

Disse Pedro num tom alcoólico quase irreconhecível. É que eu estava longe o suficiente pra não dar ouvidos.
- Ei.
Ouvi. Não entendi.
- Oi?
É assim que se convertem as tão sonaras palavras. Hoje. Quem sabe.
- Você não está entendendo.
- E quem está Pedro?
- Sou eu seu ego ferido, não mude o jogo.

Parei na pedreira. Alta. Estilhaço.
É que hoje, a pior parte de mim

Sou eu.