Eu sou o medo pulsante do Jack.
Ela é minha vergonha inflamada, feito fratura de osso exposto.
Já tive medo de querer acabar com tudo isso. Mas não seria isso o que faço?
As noites mal dormidas, os porres, as dores de cabeça matinais. A vergonha do efeito, a mão escondida, as fugas. É tudo caminho pro fim.
É tudo soma, numa equação onde o fator me é distante, mas o resultado sou eu, x da questão.
Prometi voltar. Ser forte. Prometi. Não sou capaz, se quer, de olhar na sua cara.
Fugi, como ele fez, deixei um vazio mais desonesto que o rombo que ele me causou. Eu não tive a intenção.
Achei que quando eu mudasse o rumo, a direção, pudesse te proteger de tudo que me atingiu. Porém te poupei apenas dos meus braços, que talvez fossem sua única salvação. Eu não tive a intenção.
Agora pouco me resta, e nem coragem me sobra, tampouco consigo lhe dizer que as coisas serão alheias.
Te fui espelho e falhei em tudo. Esqueci de te avisar que o peito que te aquecia é falho, e não é digno de levar esse teu coração tão puro que acreditou nas minhas promessas.
Das vezes que sua mão segurou a minha, todas elas, eu tinha certeza que conseguiria ser o que você via. Erro meu ter te feito acreditar.
Meu colo foi a coisa mais covarde que te ofereci, meu último tchau ao som do seu choro é um eco infindo que como navalha me dilacera.
Não me restou quase nada, nem mesmo um pedido de perdão, até ele tem um preço.
Eu te daria o mundo, eu juro, mas nem mesmo meu olhar eu consigo te dar.
Sou agora um ser inundando na vergonha e tenho remorço por te fazer a melhor parte de mim.
Eu abriria mão de você. Viveria vazio e sem esperança como quando você chegou, por mais três vidas, se isso te fizesse sorrir de novo.
Me perdoa.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Pra quando você crescer
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Tardou
Os fogos viriam tarde. Eram mais como barris de pólvora, e a explosão soava como bomba atômica.
O rastilho já feito esperava faísca qualquer, ninguém sabia quem ascenderia.
Viria tarde a explosão de cores, que embora eu achasse bonito, pareciam confusas e o barulho me amedrontava.
Procurei entender o motivo da ocasião, mas como não sou bom em nada, não teria sanado também essa dúvida.
Poderia ser pela descoberta de uma salvação em algo que já parecia perdido [tal qual penicilina], porém como algo real e irrefutável na essência.
Racionalidade demais impediu que aquilo fosse só e somente um rastilho pondo tudo ao alto, como forma de explodir o que parecia sem saída e implodir a minha incapacidade de ver além das faíscas.
Como fiz questão de muito, havia explodido muito antes que as cores tomassem o céu. Nunca consegui ser suficiente pra algo, por inconveniência ou mesmo falta de opção. Embora tenha tentado ser aquilo que disse que seria, não parei de vacilar o palpitar dos dedos ao riscar a pedra do isqueiro.
Foi falha minha tentativa de dizer que os fogos viriam tarde e que nada poderia ser feito.
Eu não te impediria mais uma vez de apreciar a explosão no céu e a implosão no peito. Não há como eu dizer pra que não veja as coisas afundando assim, no céu.
Eu não sou hipócrita. Eu não me suporto mais.
Não faria ninguém apreciar a queima de fogos, que vem tarde.
Nunca quis fazer questão de, nada. Ele agora me sufoca.
Tentiva falha é a falta. Ascendi o rastilho pra ver queimar.
Eu nunca consegui ser suficiente, nem mesmo pra entender as cores que agora queimam no céu
e chegaram tarde
demais.
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Lembrai.
Voltamos ao ponto inicial, onde o peito gela ao sentir que o tempo nunca para ou volta, é constante e se faz presente em cada arrancada de carro.
Coloquei a culpa em tudo, como forma de diminuir a dor que se expadia feito balão de gás hélio.
Amargurei a culpa de ter dito "te vejo amanhã", mas não ter entendido nas entrelinhas o pedido de socorro.
Por que? Por quem? Eu não entendi.
Engoli a seco minha vontade de voltar no tempo e não pisar naquele lugar que não era seu (não era você).
Não é sua culpa. Está tudo bem.
Repeti milhões de vezes e o cheiro das rosas não me escapou os sentidos.
Lutei por tempos para não sentir essa angústia de querer ver algo que não passa de penumbra, mas não sou tão forte. Não como eu via você.
Essas linhas soam como erros gramaticais tão alegres que só podem ser teus.
Meu peito tem um eco que talvez se alastre por tempos a fio. Não quero que acabe.
Por nós. Por você. E por todos os outros. Setembro, lembrai.
Ainda que não pulse mais, é parte de um todo que me faz matade.
Me perdoa não ter entendido.
Esse não é o último, nem o primeiro.
Faço pra que agora esteja "metendo macha".
Independente de como, faço pois "abro essa boca, degraçado".
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Sétimo setembro.
No dia onze de setembro as duas torres caíram. Dava pra se ver de longe a queda. Sentiu-se de longe a dor do exato momento que o avião adentrou o concreto. Me lembro de estar vendo televisão e ser acometido pelo frio na espinha do "plantão da Globo".
Mal havia se passado um ano e muito se discutia acerca do assunto (talvez ainda hoje). Parcelas diziam atentado, parcelas diziam conspiração, parcelas não lembravam do assunto. Modéstia parte pertenço, ainda, as três parcelas que junta todos em um só.
De um ponto de vista externo, conclusão nenhuma muda o deslize do concreto as chamas a fumaça ou coisa que seja. De um ponto de vista interno, não é isso mesmo que somos? Amontoados de desabamentos que na queda tentam encontrar a solução da equação como se isso evitasse o, já previsto, encontro com o chão?!
Meu sofá aquele dia se fez gélido e eu não pude compreender, achava que era toda aquela cena digna de um prêmio de efeitos especiais, porém por grande ironia eu não conhecia ninguém e isso me pareceu o suficiente pra trocar de canal e esquecer a sensação.
Eis que agora me acomete um sentimento animalesco, tanto tempo depois (vivo atrasado), dando me um pensamento um tanto nebuloso. Como não havia de ser, a vida fez-se terrorista ou conspiração ou coisa qualquer que não ligo. Contudo não atingiu-me em cheio, embora tenho tentado. Penso eu se não é isso que a vida é, uma sequência de tentativas de te acertar em cheio pra ver-te caindo em pedras gases e poeira. Sem propósito algum. Ou seria eu a própria conspiração terrorista que não se importa indo de encontro com a vida que é tão dura quanto o chão. Nos dois casos, faço parte de todas as parcelas que juntamente forma um grande pensamento inóspito e obviamente, inútil.
Como havia de ser, senti que a queda era propícia uma vez que estamos todos dentro do edifício imortalizados pelo nome-sobrenome que nos deram sem perguntar, ao menos, se queríamos entrar pela porta. A ascenção do meu estágio de contemplação do universo foi repentina visto que a velocidade deixava a sensação de que ou eu olhava rápido, ou perderia pra sempre a imagem ao tocar o chão. Como se assim, não fosse todos os dias.
O respirar quase asfixiado começou a roubar o oxigênio e como se sabe isso diminui a exatidão do pensamento, fui me tornando um ser-animal-quase-irracional. Eu devia ter feito mais vezes. Descobri mais sentidos em meu peito, dos quais não imaginei que existiam. Era uma queda brusca e a pressão atmosférica quase perfurava minha caixa craniana fazendo meu lóbulo central ser nada menos que massa cinzenta. Penso eu se não é mesmo isso o tempo todo, punhado de massa cinzenta que carregamos como medalha de honra por ser algo, que na realidade, não faz jus aos atos desengonçados de um ser com polegares opositores.
Dava pra se ver de longe a fumaça o concreto. A imersão do gigante no espaço temporal tornando-o em segundos um amontoado de nada. Mas penso eu se não é isso mesmo todo dia, queda livre. Salto certo do concreto para o chão como forma de escapar de um encontrando o outro, como se não fora no fim, a mesma coisa. Encontrando-se com o chão. Tentativa de sair do nada pra encontrar aquilo que te transformará em nada.
Esse foi meu sétimo setembro.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Eu não tenho tido muito tempo de escrever, é que de alguma forma eu tirei a mão do volante e deixei que o carro se guiasse. Impulso ou besteira, não sei ao certo, mas de certo que colido de frente ou capoto no barranco.
O que for pra ser, que seja. Estou inerte e a dor que me doía fez uma pausa. Acho estranho essa anestesia repentina, esse formigamento no peito já perfurado de tantas facadas da querida amiga vida. Todavia não me permito olhar pro freio ou desviar da colisão, apenas observo o horizonte esperando o momento de limpar o sangue e reconstruir-me.
De pronto, me ergo como num solavanco socando os vidros em repúdio do que sou, mas o fervor que sobe em meus dedos me lembra que estou vivo e respiro.
Dizem pelos pedágios a fora que é preciso ser corajoso pra enfrentar a estrada na calada da noite. E eu que sempre tive medo do mundo, enfrentei o abismo por ter medo de mim.
O passo inicial foi um sopro de coragem, um devaneio súbito que me acometeu quando percebi que eu havia me tornado a quimera que me absorveu a vida toda. É possível se tornar a pior parte de si mesmo?
Guio agora esse carro em destino a rumo do nada esperando a tao esperada colisão pra ver se nos estilhaços do chão encontro a parte que se desprendeu de mim e anda vagando por ai.
Consciente do que fiz, não me arrependo, essa ebulição que acontece em mim, fazendo meu pensamento um liquido fluidico, está fervendo a cada km rodado. Quanto mais me afasto do ponto de partida, sinto a conexão falhar (entre mim e o que era pra ser/ou fui). Vou escurecendo a visão com a luz forte do farol e deleitando meu corpo peso pena em existencialismo.
Ou colido, ou capoto no barranco.
A chuva de estilhaços vai fazer brilhar o céu no mundo todo, e então, não terei mais medo de mim.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Todo dia o porteiro tranca a porta as dez, e me dá boa noite.
Todo dia eu estou fumando um cigarro e olhando a fumaça. Gosto de ver a fumaça.
Mas hoje, eu conversava com Chico.
E recitava algum poema sem nexo.
Todo dia devia ser assim.
"Meu sangue errou a veia e se perdeu"
Todo dia eu tranco a porta pra dormir, e fumo só meio maço. Ontem ouvi cazuza e dormi de porta aberta.
Perdi o controle da minha vida. Eu cheio das manias, pisei na linha e esqueci de tocar em um orelhão.
Por iniquidade das linhas, turvei e me curvei.
Lembro-me de um dia ter dito seu José, do bicho, que cachaça e amendoim curavam tudo. Mas hoje tomei cerveja pra ver doer.
Não que eu gostasse, claro. Mas nunca fui da cachaça, ou do acerto.
Que sei eu disso tudo, é que a vizinha riu de mim quando gritei "puta merda"...
Foi um grito sincero, confesso.
O porteiro fechou a porta as 22h, faziam vinte e quatro horas, e eu havia falhado.
Mas agora falhei, ao escrever.
Mas ora, o que mais faria eu?
Apenas escrever, e escrever.
Dentro da sobra que há no meu peito encharcado, a solidão virou um comichão, feito cupins a devorar meus papéis. Meros sinais, marcados em folhas ao som de Tim Maia ( ou qualquer outro som drastico).
É tudo luz baixa, daqui de onde estou, e o vulto da lerdeza disso tudo ficou no meu olhar, como marca do fracasso.
Mas o porteiro fechou a porta as 22h como todo dia, não ha nada de novo, amanhã será igual.
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Nada
Fiz uma lista esta noite, de coisas que eu deveria fazer, e quais eu não deveria fazer. Não me atrevo dizer que era pequena, ou fácil de ser cumprida. Mas foi uma bela lista, numerada e em ordem alfabética.
Correram as horas, o dia não terminou, porém fiz o que não devia e o que devia ficou a esmo, como meu corpo tem estado.
Me senti um grande vulto, e no meio de uma imensidão descobri que a maior concentração de nada está aqui.
Minha sacada é alta e eu não tive medo. Nem coragem. Nem vontade. Nem nada.
O que prometi pra minha progenitora que nunca mais o faria, o fiz e olhem: que linda merda eu fiz. Devia ser estampado em outdoor esta linda cagada que agora está estampada apenas em meus dedos.
Cai tão rápido que nem vi o tropeço. De toda forma, eu sabia que havia tido um.
Fui analisando sistematicamente cada pedaço anaquilado de mim e juntando parte por parte pra que o vácuo fizessse ao menos sentido.
E então tive medo.
Parti pra tao longe que não sei mais o caminho de volta e mais uma vez me nego a pedir que apontem a direção, talvez porque eu so tenho cansado de prosseguir, seguir, emergir, sucumbir e sorrir.
No lugar que me encontro sou rei, mas não há utilidade nenhuma, uma vez que nao ha ninguém a quem comandar. Nem mesmo a cara no espelho.
Tornei-me um palco, protagonista de um belo show, que fecha as cortinas todos os dias antes que aconteçam os aplausos. Porque a plateia está vazia.
Eu tive medo.
De mim, de você, e até do vazio que vem deixando no meu mundo já inabitado.
Quando falo, o grunhido parece algo que ja se foi e eu odeio pena. Não espero pena. Não quero pena. Ou seja la o diabo que for. Minhas preocupações são maiores, vão a Marte e voltam a mim, deixando a lembrança que minha alma não é daqui, e eu nao me importo com isso.
Se pisei nesse dia foi pra marcar com pegadas falsas a história e rir do meu fracasso.
E eu tive medo de mim.
Mas está tudo vazio, e me pergunto se alguém tem coragem o suficiente pra se criar no nada, procriar no vácuo e expandir minha sobra de falhas.
Talvez sim, talvez não
Tive medo do mundo, e de nós
A falta do que me tem, inebria meu cérebro e já não sei se tenho medo.
Mas tenho, alguma coisa, creio eu. Eu que não creio em mim. Mas tenho.
E o medo rega tudo isso,
Ei... olha só essa montanha de nadas que eu fiz, da pra fazer muita coisa por aqui, inclusive nada.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Sinto muito
Quando me dei conta, passava das três.
Não sei exatamente quando eu perdi a noção do tempo, talvez tenha sido a alguns anos. Mas de fato a hora havia passado e eu continuará sem saber olhar os ponteiros.
Eu, ou aquilo que acredito que sou, deitei e nunca mais se levantou. Não troco meu travesseiro, nem minha coberta, estão todos se desfazendo, mas não me atrevo a deixa-los. Talvez esse seja o ponto, talvez eu nao saiba soltar as coisas tais que me dão uma boa noite de sono.
No fundo, sou um campo fértil pronto para tantos jardins... Eu sei. Mas o problema é a cerca. E se passas, o problema é o cão. E se amassansas, o problema é o caminho. E se passas...
Já passam das três, ainda que eu não saiba olhar relógios e seus ponteiros.
Meu coração tem sido caneta tinteiro espalhando tinta por onde passa, deixando irreconhecível qualquer traço. Minhas mãos trêmulas ja não fazem grandes feitos, meus textos não expressam e essa dúvida sufoca o peito.
Entre minha cama e o mundo abriu-se um portal e, eu que sempre fui alheio ao mundo, sinto-me entrando nessa fenda paradoxal pra ver se encontro sua dopamina em qualquer esquina.
Me sinto tolo por sacudir um cachorro já morto, mas me sinto obrigado a dizer pra que não caia sob mim a culpa, do ser ou do estar.
Já passa das três, não faz sentido que eu esteja assinando esse termo de compromisso comigo mesmo. Como sou tolo, e burro.
Minha cama me chama, eu sinto muito, me perdoe por faze-lo, ou não conseguir florescer. Eu realmente, sinto muito.
domingo, 14 de agosto de 2016
E se
Eu não sei quantas eu bebi, mas eu nunca sei, o que sei é que os caras que juntam alumínio estão muito felizes essa semana.
Fechei a cortina em uma tentaviva frustrada de não ver o raiar do dia. Cobri a cabeça tentando fazer esse cômodo ser inundado pela noite. Tudo pra tentar fechar os olhos e apenas sucumbir ao sono.
Falhei, em tudo, até mesmo em falhar. Meu peito não enrrigeceu com a ideia de que ficaria, minha respiração falhou foi quando pensei na hipótese de que não voltaria.
Meu maço não tem rendido mais que uma noite, meus dedos dançam e brincam com os filtros como um pedido de socorro. Nem mesmo quando me calo, sinto-me satisfeito, escutar o silêncio tem sido mais pertubador por não soar com sua voz as sete da manhã.
Se isso fosse uma carta, não teria destinatário, ou assinatura final. Creio que conhece minha caligrafia e os versos manjados. O celo em seus lábios ja dizem o remetente.
Mas estou bêbado outra vez, e raras as vezes que me calo. Mas e se eu dissesse que acabei me afogando mais do que esperava e foi bom naufragar, o que diria? Quando a ressaca acabasse e eu não pudesse abrir outra lata, o pedido pra que permaneça ainda estaria vivo, e o que eu faria?
Decidi emudecer, um completo peso morto, torto, eu podia ser (não mais) que um tropeço na sua semana e te fazer perder algumas boas horas em um dia qualquer te fazendo acabar com meio maço num fim de tarde.
Eu sei pedir outra cerveja ao garçom com maestria, mas por descuido do destino, não sei pedir pra que fique pra outro café. Mas gostaria.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Não faça mais-valia do meu peito.
Foi por um par de olhos assim que me debati. Perdidos na linha do querer, entre ter tudo em meio ao caos e perder nada perante a calma.
Eis que nunca fui bom trabalhador, ou menos ainda escritor. Sempre fui da taberna, e o garçom o sabe bem.
Meu peito foi regado a doses repetidas no meio da noite, enquanto a penumbra adentrava o quarto e eu fazia a luz neon de lua.
Suas pernas deviam caminhar por aqui, entrelaçando-me de forma sutil, emaranhado em mim, enrroscando até não mais sentir frio. Me deleitaria e sorriria ao sentir o sufocar da víbora.
Mas por maldade, veja só, fiz do travesseiro fortaleza e queidei-me mudo ao som de Tom Jobim.
Orquestrou com maestria a quinta sinfonia em minhas cordas vocais. Tamborilou o mais triste samba - fundo - de - quintal no meu coração.
Mas não me importa, quiçá, se existia a probabilidade que soubesse. Do meu copo cheio e o seu vazio, eu ja sei bem.
Fiz me pórtico poeta, em rumo a prumo do seu sumo. Poeta parnasiano. Que tal?
O garçom conhece bem. A mesa e o pedido. Da próxima, sente e pede um copo, que do meu coração nada levas, nada vale, do meu copo muito mais valia.
sábado, 30 de julho de 2016
Créditos finais
Gostei de como duvidou de mim. Encheu o peito pra dizer que eu estava errado. Fez malha fina nos meus argumentos.
Mas eu estava certo.
Paixão sempre foi mais forte que o amor, ou tantos não teria eu.
A vontade que te da, ao ouvir a mais perfeita Sinfonia de Sinatra, de dançar. É a paixão.
Descompasar o peito, com o compasso do seu passo.
Mas adoro que me provem que eu estou errado.
Que aquele filme, péssimo, de domingo era na realidade a relíquia pelos créditos finais. Afinal, somos nós perdidos em closes capturados pela sonografia ruim do longa e perfeitos na sonoridade do... e x p i r a r.
Não há como dizer que tudo isso é infindo, no primeiro raiar do dia eu ja terei ido e nosso silêncio repentino vai ser mais lindo do que aqueles Bastardos conseguiram fazer.
Curtas tem o poder de te deixar com gosto de quero mais. Sinatra numa película verde contrastante. É um longa simetrico feito por meu desprazer de ser contrariado pelo seu gosto familiar.
Na fala vacilou, contra meus argumentos não há como se defender, eu adoro estar errado.
Dizendo estar certo.
Sou clichê como a tristeza de Bukowski e te deixo sem sentido como Fincher. Volta amanhã pra me xingar, por eu ser tão Woody e sonoro como Elvis (but, don't run).
Me prova que estou errado, te dou minha certeza em sépia, luz baixa e enquadramento torto, que consigo ser o longa mais curto que já viu.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Não traia esse poeta.
Me coloquei a sonhar, ou a ver a realidade, quem saberá...
A quem direi o quanto gosto de ver essa realidade doída, sem parecer tão louco? Não me traga resiliência, não... Me traga esse coração todo perfurado à jorrar palavras banhadas desse sangue vermelho pulsante. Gosto disso. Como um caminhante gosta do alvorecer de inverno ainda que lhe doam os ossos.
Quero que me traga sua escrita, póstuma, cruel, real. Essa escrita carnal, traga-me por inteira, cada sílaba viceral.
Não traia esse poeta, quero tuas palavras a viajar na minha lingua e sua letra em minha derme como forma de dizer-me que comeria tudo que ha em mim, se assim fosse possível com conhecimento.
Não! Não traia esse poeta. Da-me tua escrita, mas não me tome os textos, esses que escrevo ao sentir que suas linhas me envolvem. Não traia esse poeta. De-me por inteiro, ao longos dos dias, mas não todos os dias.
Visto sempre essa capa dura, como enciclopédia a deslanchar palavras enfindas que Aurélio nenhum te descreveria.
Como se fosse eu mansão, ou senzala, não me importa, pisa com esses pés santos que escrevem caminhos com digitais singulares. Brinca como criança, me risca, por inteiro, com garranchos ou sussurros ou cochinhos, mas risca.
Faça o que bem entender que não me importo em ser, também.
Mas não traia esse poeta, o coração que pulsa em linhas tortas de papéis jogados, buscando essa dor de ser quebrado, de sofrer, de te olhar indo e deixando o rastro de frases-de-efeito feito com meu sangue-tinteiro. Não traia esse coração que so faz poesia pra morrer na sua boca e sentir dor ao ve-la ensinando ao mundo o nosso amor.
Faça o que bem entender, que faço entender-me bem. Mas não traia meu eu poeta, calando-se num dia de domingo, na nossa casa. Traia-me apenas se for pra dizer sim.
sábado, 16 de julho de 2016
Eu não sou daqui, aqui nada me pertence. Estou de passagem, sem direito a retorno, uma viagem só de ida.
Como posso eu, então, levar na bagagem coisas banais?! É longo o caminho, desfiladeiros sem fins e ademais sou todo pesado por conta.
Levo comigo um coração que não cansa de pulsar e estremecer, sangrar e jorrar sem se arrepender. Estou cheio de tantos sonhos e desejos infindos.
Não me canso de carregar tantos pesos e sobrecargos de coisas que não são materiais, vou largando pelo caminho as roupas e malas e livros. Me permito viver de alma nua e leve e deixo as palavras brincarem na minha cabeça e saltarem da boca até que delas me esqueça, ficam pelo caminho como sementes nos peitos que planto.
Me falta o ar quando tento dizer tantas coisas, minh'alma pula feito criança e não se aguenta, quer escapar por entre minha derme porque essa órbita é pequena demais pra portar a imensidão do que penso.
Mas penso calado.
Em silêncio, de olhos fixos, corpo estático, como se nada em mim estivesse vivo. Me permito parecer morto pra que o universo sussure no pé do meu ouvido como é realmente estar vivo, pra que o soar do vento na minha janela me aponte a direção.
Me permito ouvir.
Pra que o pulsar na minha orelha dê a sensação que meu coração vai sair a qualquer instante, e o fervor das minhas mãos me mostrem a perfeição termostatica em que meu corpo trabalha.
Nesse silêncio que me permito, as palavras se amansão e eu não profiro uma palavra se quer, porque mais tem elas a dizer a mim que eu a elas.
Não sou daqui, sou aprendiz, a cada verso que me declama o universo eu anoto mentalmente. Os que olham de fora e não entendem o silêncio, certamente nunca pararam pra escutar o que diz meu pensamento.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Maria
- To cansado Maria
- Meu nome não é Maria!
Eu tinha essa mania de inventar nomes.
- Mas seu nome me irrita...
- E o que é que não te irrita?!
- Coisas milimetricamente separadas.
O silêncio se fez presente, afinal que resposta seria mais vaga e sem sentido...
- Olha Maria, eu to cansado de ser pedra lima que amola a faca que me corta
- Pare de se fazer de vítima, vai...
- Oras, quem é você? Nem sabe o enrredo do que digo!
Como uma louca ela se levantou num súbito, jogou a garrafa contra o muro fazendo uma chuva de estilhaços.
- QUE PORRA É ESSA MARIA?
- MULHER! É só o que você sabe doer. Não me venha com seus papos de "cachorro-passa-fome".
Gesticulava como uma verdadeira maluca, tirando sarro da minha cara (eu adorava).
- MAS VEJA BEM...
- Não começa!
- Eu to cansado caralho! Lá tenho culpa de ser essa física mutável que elas não entendem?!
- Nem você se entende, para de gritar amor fedendo puteiro.
- Grito amor SIM!
A fumaça subiu, aquele trago forte de quem enche o pulmão pra não dizer nada.
Ai Maria....
Maria se calou.
O mundo conscentio, os cachorros da rua também... Até eu mesmo.
- Ok, não grito amor.
- Você é a porra de um porre, daqueles de vinho, que da uma dor de cabeça dos infernos.
- Não é pra tanto...
- É sim, um bêbado de vodka barata que se diz tomar vinho nobre.
- Ora Maria! As vezes tomo vinho nobre. E as vezes me apaixono. Isso é tão inerente quanto...
- Não adianta falar difícil, nem me chamar de Maria. Você sabe que isso é só falta.
- Falta de que caralho?
Levantei da calçada como quem levanta atrasado numa segunda-feira.
- Falta de sessão da tarde, domingo no sofá, cafuné no ônibus... Não tem beleza nisso.
- Falta é faca de açougueiro na mão de vegetariano, Maria.
- Não serve pra nada?!
- Até serve, mas não é usada pra coisa certa...
- Já chega de tanta asneira, você só fala merda.
Me estendeu a mão ao me entregar uma garrafa, entendi o recado e apenas bebi.
- Tudo bem Maria.
- Mas que merda!
- Maria é um nome milimetricamente bonito.
- Me poupe.
- Ok, vou beber.
Mais um gole.
- E amar.
Outro gole.
- E te chamar de Maria.
Outra garrafa foi se ao muro, chuva linda de cacos,
caos.
- Tenho essa mania de teimosia, gosto de ser faca afiada que me corta o peito ao ser mal usada.
- Mas você não tava cansado porra?
- Mudei de ideia, essa conversa me deu fome de falta.
- Você é louco.
O mundo conscentio
Maria se deitou ao chão de brita.
Eu sorri.
- Pode ser....
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Cíclico
Me disse que as coisas não precisavam ser ciclicas. As coisas mutam.
Pixou nos muros da cidade frases de efeito e estampou o rosto em cada outdoor.
Se fez de cadeia quimica linda a me fazer querer aprender.
Então pintou os muros de branco, como Marisa. Se fez Monte, arduo de superar a subida.
Esqueceu-se de avisar que o universo só não colide pela órbita, essa que não tenho controle.
Dissimulou como tudo que é real, palpavel, circunferencia.
Perdoa, é sim, ciclico.
Se fez perfeita ligação, carbonada.
Se ligou a mim
e a mais quatro.
Não sou bobo, não morro de fome.
Mas prossigo, cachorro sem dono.
Dera ser eu Gentileza, que inspirou Marisa...
Fui a tinta que rasbicou o muro.
Oxigenio no espaço-tempo,
inexistente.
Fui os olhos obliquos,
mas não dissimulei,
dissimulou.
Pixei,
pintei,
explodi,
fiz-me cadeia.
De tudo, sei hoje eu,
de nada,
mas compreendo a ligação
e faço ciclico meu viver:
se não vinga o amor,
vinga a escrita
o poeta,
este que não traio,
que me vira comparação e me absolve desses meus erros tão falhos.
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Bilheteria.
Se meus olhos pudessem fotografar, minha memória estaria sem espaço.
Lotada de imagens suas. Desse sorriso torto, das pernas desengonçadas, de nossos pratos de comida.
Se minha mente criptografasse imagens, provavelmente teria um peso infinito de paredes, postes, fios, janelas e incontáveis coisas aleatórias as quais eu incansavelmente insisto em te ver.
Caso pudesse eu reproduzir sons como um rádio o faz, e mostrar em meu peito as imagens que meus olhos fitaram, apareceria uma serie de azulejos e portas de banheiro ao som da sua risada soluçada.
Como queria eu lhe mostrar como num raio-x a forma como mastigo a saudade e a engulo tentando fazer a mais perfeita digestão. Talvez você sentisse o gosto amargo que é essa tal saudade. Quiçá entendesse porque prefiro engoli-la a cuspir, aceitando a azia que é ter dentro de mim a falta.
Queria ser um cinema a passar teus lábios em HD ao som da sua respiração ao dormir. Ou rádio sintonizado na sua voz, que muda de estação cada vez que ela se faz tensa, e aumenta o volume quando se faz trêmula.
Queria ser campeã da sua bilheteria e deixar o posto de lanterninha pra quem não espera a vinheta acabar.
terça-feira, 8 de março de 2016
Réu-confesso.
Era isso que dizia aquele ator bêbado, ou o autor daquele livro... Ou fui eu quem disse enquanto bêbado?! Enfim, tanto faz! O que foi dito, foi dito.
O bar estava tumultuado, muita falação, musica baixa, muita voz, pouca ação. De praxe, eu estava adorando, mas a cara de merda já é minha por direito.
Um copo de cerva, um trago no cigarro e ela entrou... Ah, e como entrou!
A chuva castigou a cidade e o seu vestido de seda castigou meu coração. (Mais um gole de cerveja, à seco desta vez.)
Entrou sorrindo, a música parou (ou fiquei surdo), levantei, ela passou.
Ela não me notou. Ela, não, me, notou.
Ah, foda-se.
A musica aumentou. As vozes voltaram, direita, esquerda, blá, blá. Papo chato.
Desculpe a cara de merda.
A lua agora está cheia e eu embriagado, o garçom já permitiu a saideira e eu vou pra casa, pare de me aporrinhar.
A seda, a chuva, você esta maltratando meu coração.
Acordei com ressaca. Sol na cara. A seda esta seca no chão.
Como você veio parar aqui?
Deve ser a cara de merda.....
Olha, eu até podia ser teu de corpo e alma, mas meu coração anda cantarolando idiotices. Meu perfume é de puteiro e minha cara de merda... Ora, o que estou explicando... Queria te amar, mas não levo o menor jeito não.
Meu coração nasceu malandro.
Volta amanhã?!