Eu não sou daqui, aqui nada me pertence. Estou de passagem, sem direito a retorno, uma viagem só de ida.
Como posso eu, então, levar na bagagem coisas banais?! É longo o caminho, desfiladeiros sem fins e ademais sou todo pesado por conta.
Levo comigo um coração que não cansa de pulsar e estremecer, sangrar e jorrar sem se arrepender. Estou cheio de tantos sonhos e desejos infindos.
Não me canso de carregar tantos pesos e sobrecargos de coisas que não são materiais, vou largando pelo caminho as roupas e malas e livros. Me permito viver de alma nua e leve e deixo as palavras brincarem na minha cabeça e saltarem da boca até que delas me esqueça, ficam pelo caminho como sementes nos peitos que planto.
Me falta o ar quando tento dizer tantas coisas, minh'alma pula feito criança e não se aguenta, quer escapar por entre minha derme porque essa órbita é pequena demais pra portar a imensidão do que penso.
Mas penso calado.
Em silêncio, de olhos fixos, corpo estático, como se nada em mim estivesse vivo. Me permito parecer morto pra que o universo sussure no pé do meu ouvido como é realmente estar vivo, pra que o soar do vento na minha janela me aponte a direção.
Me permito ouvir.
Pra que o pulsar na minha orelha dê a sensação que meu coração vai sair a qualquer instante, e o fervor das minhas mãos me mostrem a perfeição termostatica em que meu corpo trabalha.
Nesse silêncio que me permito, as palavras se amansão e eu não profiro uma palavra se quer, porque mais tem elas a dizer a mim que eu a elas.
Não sou daqui, sou aprendiz, a cada verso que me declama o universo eu anoto mentalmente. Os que olham de fora e não entendem o silêncio, certamente nunca pararam pra escutar o que diz meu pensamento.
sábado, 16 de julho de 2016
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