Peguei seu livro empoeirado da prateleira, havia um tempo que eu não o lia. Passei meus dedos pela capa, pra tirar a poeira, aos poucos fui relembrando de como a capa era linda.
O dia está quente, você sabe como eu odeio esse clima: seco, sem vento, sem graça... Afinal, quanto mais sabe de mim? Talvez o suficiente pra não ter ficado. Enfim, esta não é a pauta. A questão é que o dia está realmente quente, como aquelas noites que meu nariz sangrava aí. E eu estou sentada lendo seu livro empoeirado.
Página por página, vi meus dias, eu não me lembrava da beleza deles. A cada vez que folhava via um abismo gigante entre a autora do inicio e a que se sucedeu. Como é possível um livro ir de "Comer, rezar e amar" à "O amor é um cão dos diabos"?
Era meio de tarde, na mesma hora que eu estaria ouvindo a rádio local e desenhando a próxima música. Era um meio de tarde qualquer e eu fiz questão de abrir seu livro empoeirado, livro ultrapassado, livro já usado e agora engavetado.
Cada página amarela me lembrou de como me joguei, tão fundo e sem medo. Cada vez que folhava, lembrava de uma palavra boba, um gesto tolo. Cada vez que eu voltava a esse livro, via o quanto eu fui tola. Mas antes tola, que egoísta, como agora, amando por dois
Pena que o livro, não é real. É lembrança.
Pena que a estante, é memória.
Pena que fui ontem.
Pena que sou hoje.
E pena ainda maior que você nunca saberá, amanhã, que sou
Pra sempre tua.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Lugar nenhum.
Onde moro as pessoas não olham
para o lado antes de atravessar a rua, elas confiam mais em deus que em si mesmas.
Onde morro, as pessoas não acreditam na vida, talvez porque saibam que só um
milagre para que as coisas melhorem.
Não adianta mandá-las “carpir
uma data” quando estiverem falando da vida de alguém, carpir é o que mais fazem
todo dia, o dia inteiro, e não há nada de tão grandioso em tirar umas mudas aqui
ou ali, já falar da vida dos outros... Sabe como é, Joaquim não sabe carpir tão
bem quanto eu.
De onde sou as pessoas bebem em
demasia, não por ser bom o amargo da pinga, por ser doce o gosto da feliz
embriaguez. Por onde piso as pessoas não
se importam com escuridão, é tão deles esse habitat seguro, é tão nossa essa
solidão.
Por onde vivo sorrisos são
comprados, por notas forjadas de um trabalho tão suado. Gargalhadas por um pão
com ovo e uma cerveja barata.
De onde sou, não há amor pra
esbanjar, talvez pelo tanto que se passa a observar. É muita vida, pra pouca
gente, pouca costas pra tanto fardo. Ter brilhos nos olhos, aqui, é vaidade do
moço embecado, de gente que não sabe o quanto dói atravessar sem olhar, amar
sem medir, até cair em qualquer mesa de bar, de perna quebrada, bolso furado e
infelizmente, peito frustrado.
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Ou o que?
Me perguntaram: Você é louca ou o que? Respondi que sou “louca”
e “o que”.
Questionaram-me qual meu signo. Câncer, com ascendente em
leão, inferno em escorpião e paraíso em aquário.
“Comédia ou Romance?” Comédia Romântica!
De que me serve ser escrita poética, milimétrica poesia? Não
me veste esta gramática aprumada, esse conceito endeusado de ser um ser humano
perfeito. De que me adianta ser só o que? Louca que sou, de que adianta ser romântica?
Não me cabe esse pós conceito já pré escrito. Há estrelas milhões neste céu, há
mais constelações que neurônios em meu cérebro, deveria eu me contentar em ser regida por uma única?
Nasci de cabeça fria e vazia, há eu de morrer assim? Ou hei
de morrer sem saber? De que me serviria saber tudo isso? Não me serve esse
Aurélio.
Há tantas possibilidades do ser, há tanta coisa pra ser no
mundo e a gente aqui insistindo em ser apenas esse borrão na pintura criacionista
de da Vinci.
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