Peguei seu livro empoeirado da prateleira, havia um tempo que eu não o lia. Passei meus dedos pela capa, pra tirar a poeira, aos poucos fui relembrando de como a capa era linda.
O dia está quente, você sabe como eu odeio esse clima: seco, sem vento, sem graça... Afinal, quanto mais sabe de mim? Talvez o suficiente pra não ter ficado. Enfim, esta não é a pauta. A questão é que o dia está realmente quente, como aquelas noites que meu nariz sangrava aí. E eu estou sentada lendo seu livro empoeirado.
Página por página, vi meus dias, eu não me lembrava da beleza deles. A cada vez que folhava via um abismo gigante entre a autora do inicio e a que se sucedeu. Como é possível um livro ir de "Comer, rezar e amar" à "O amor é um cão dos diabos"?
Era meio de tarde, na mesma hora que eu estaria ouvindo a rádio local e desenhando a próxima música. Era um meio de tarde qualquer e eu fiz questão de abrir seu livro empoeirado, livro ultrapassado, livro já usado e agora engavetado.
Cada página amarela me lembrou de como me joguei, tão fundo e sem medo. Cada vez que folhava, lembrava de uma palavra boba, um gesto tolo. Cada vez que eu voltava a esse livro, via o quanto eu fui tola. Mas antes tola, que egoísta, como agora, amando por dois
Pena que o livro, não é real. É lembrança.
Pena que a estante, é memória.
Pena que fui ontem.
Pena que sou hoje.
E pena ainda maior que você nunca saberá, amanhã, que sou
Pra sempre tua.
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