quinta-feira, 17 de março de 2022

Poema do Ney.

 É ódio.

As vezes eu acho que tudo que me consome é ódio. 

É que eu não sei lidar, e Pedro solta a rédia. 

Ele não sabe me segurar. 

Eu bebo, ele soluça. 

Eu choro, ele reflete. 

Não há nada nessa vida que seja ameno. 

Mas como pode, o ódio ser maior do que... 

Eu nem sei o que ia dizer. 

A gente vive, 

Ou sobrevive...

Pedro, pegue a rédia!

Ele nunca sabe o que fazer, porque agora o ódio me consome. 

O pássaro voou, 

A maré alastrou,

E amanhã... 

Ah, o amanhã... 

Eu vou sorrir, sabendo que o ódio que me consome é mera coincidência do caos que se instalou 

A verdade, como já disse, 

É quimera

E vai me devorar por inteiro 

Porque meu ódio é um Pincher raivoso e a vida ..

A vida é um Pitbull deitando dormindo, roendo o osso.

Enquanto eu morro de ódio, a vida me tem sonolenta. 

E o amanhã me tem, como cupim em madeira. 

Eu sou só ódio. 

Mas a vida,

Ela é só...

Pedro?


Silêncio. 


De novo

Pedro gosta do silêncio, eu também. 

Mas o ódio fala alto, grita, arranha 

E eu chamo por Pedro.

Se Pedro é covarde, eu sou o que?!

Todos do convés sabem que não há Terra a vista.

Eu sou só um capitão, mimado, que grita por Pedro no mais insano ódio 

E Pedro...

Faz silêncio.