Eu sou o medo pulsante do Jack.
Ela é minha vergonha inflamada, feito fratura de osso exposto.
Já tive medo de querer acabar com tudo isso. Mas não seria isso o que faço?
As noites mal dormidas, os porres, as dores de cabeça matinais. A vergonha do efeito, a mão escondida, as fugas. É tudo caminho pro fim.
É tudo soma, numa equação onde o fator me é distante, mas o resultado sou eu, x da questão.
Prometi voltar. Ser forte. Prometi. Não sou capaz, se quer, de olhar na sua cara.
Fugi, como ele fez, deixei um vazio mais desonesto que o rombo que ele me causou. Eu não tive a intenção.
Achei que quando eu mudasse o rumo, a direção, pudesse te proteger de tudo que me atingiu. Porém te poupei apenas dos meus braços, que talvez fossem sua única salvação. Eu não tive a intenção.
Agora pouco me resta, e nem coragem me sobra, tampouco consigo lhe dizer que as coisas serão alheias.
Te fui espelho e falhei em tudo. Esqueci de te avisar que o peito que te aquecia é falho, e não é digno de levar esse teu coração tão puro que acreditou nas minhas promessas.
Das vezes que sua mão segurou a minha, todas elas, eu tinha certeza que conseguiria ser o que você via. Erro meu ter te feito acreditar.
Meu colo foi a coisa mais covarde que te ofereci, meu último tchau ao som do seu choro é um eco infindo que como navalha me dilacera.
Não me restou quase nada, nem mesmo um pedido de perdão, até ele tem um preço.
Eu te daria o mundo, eu juro, mas nem mesmo meu olhar eu consigo te dar.
Sou agora um ser inundando na vergonha e tenho remorço por te fazer a melhor parte de mim.
Eu abriria mão de você. Viveria vazio e sem esperança como quando você chegou, por mais três vidas, se isso te fizesse sorrir de novo.
Me perdoa.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Pra quando você crescer
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Tardou
Os fogos viriam tarde. Eram mais como barris de pólvora, e a explosão soava como bomba atômica.
O rastilho já feito esperava faísca qualquer, ninguém sabia quem ascenderia.
Viria tarde a explosão de cores, que embora eu achasse bonito, pareciam confusas e o barulho me amedrontava.
Procurei entender o motivo da ocasião, mas como não sou bom em nada, não teria sanado também essa dúvida.
Poderia ser pela descoberta de uma salvação em algo que já parecia perdido [tal qual penicilina], porém como algo real e irrefutável na essência.
Racionalidade demais impediu que aquilo fosse só e somente um rastilho pondo tudo ao alto, como forma de explodir o que parecia sem saída e implodir a minha incapacidade de ver além das faíscas.
Como fiz questão de muito, havia explodido muito antes que as cores tomassem o céu. Nunca consegui ser suficiente pra algo, por inconveniência ou mesmo falta de opção. Embora tenha tentado ser aquilo que disse que seria, não parei de vacilar o palpitar dos dedos ao riscar a pedra do isqueiro.
Foi falha minha tentativa de dizer que os fogos viriam tarde e que nada poderia ser feito.
Eu não te impediria mais uma vez de apreciar a explosão no céu e a implosão no peito. Não há como eu dizer pra que não veja as coisas afundando assim, no céu.
Eu não sou hipócrita. Eu não me suporto mais.
Não faria ninguém apreciar a queima de fogos, que vem tarde.
Nunca quis fazer questão de, nada. Ele agora me sufoca.
Tentiva falha é a falta. Ascendi o rastilho pra ver queimar.
Eu nunca consegui ser suficiente, nem mesmo pra entender as cores que agora queimam no céu
e chegaram tarde
demais.
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Lembrai.
Voltamos ao ponto inicial, onde o peito gela ao sentir que o tempo nunca para ou volta, é constante e se faz presente em cada arrancada de carro.
Coloquei a culpa em tudo, como forma de diminuir a dor que se expadia feito balão de gás hélio.
Amargurei a culpa de ter dito "te vejo amanhã", mas não ter entendido nas entrelinhas o pedido de socorro.
Por que? Por quem? Eu não entendi.
Engoli a seco minha vontade de voltar no tempo e não pisar naquele lugar que não era seu (não era você).
Não é sua culpa. Está tudo bem.
Repeti milhões de vezes e o cheiro das rosas não me escapou os sentidos.
Lutei por tempos para não sentir essa angústia de querer ver algo que não passa de penumbra, mas não sou tão forte. Não como eu via você.
Essas linhas soam como erros gramaticais tão alegres que só podem ser teus.
Meu peito tem um eco que talvez se alastre por tempos a fio. Não quero que acabe.
Por nós. Por você. E por todos os outros. Setembro, lembrai.
Ainda que não pulse mais, é parte de um todo que me faz matade.
Me perdoa não ter entendido.
Esse não é o último, nem o primeiro.
Faço pra que agora esteja "metendo macha".
Independente de como, faço pois "abro essa boca, degraçado".