quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Meu acaso.

Espero que um dia, por descuido ou por acaso você se perca em mim.
Meu corpo é uma muralha feita sob medida para abrigar teu coração tão frágil. O coração é o bau mais cobiçado, que guarda teus segredos mais valiosos e pertences mais preciosos.
Mas quem sabe, um dia por descuido ou por acaso seus olhos se cansem de fugir e se deitem na calmaria dos meus (eu sei que lhe parecem negras águas turvas, mas acredite eles são águas límpidas e calmas).
No meio dessa estrada, desse descuido ou desse acaso, quem sabe tua cabeça tão complicada desate os nós e decida ficar de vez nessa minha vida descuidada e cheia de acasos.
Esse tal destino é mesmo estranho, não se intimide. Ele brinca com a gente só pra nos tornar fortes e quando a gente vê já está dançando no ritmo do acaso. Espero que tenhas este cuido.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Azedume.

Você ficou no meio dessa ponte entre realidade e sonho, sem notar que o abismo abriga uma quimera pronta para destroçar seus planos.
De passo em passo se equilibra sem olhar para baixo. Ainda que a tempestade insistisse em cair, a fé de que o sol voltaria sempre lhe convenceu a dar mais um passo.
A fé não passa de crença naquilo que não se vê, isto nunca impediu que a quimera se aproximasse de cada suspiro de confiança teu.
Não que eu te deseje a desistência ou má fé, mas andar em cordas bambas requer mais que apenas um olhar fixo no horizonte.
Enquanto desacreditas da tempestade, esqueces que o mesmo sol que aquece é o que apodrece o esgoto. 
Nada é tão incerto quanto essa ponte que construíra com suas próprias mãos sem a consciência de que sentimentos são falhos.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A vida não é poesia.

Eu te protegeria do frio, se lhe faltasse cobertor. Eu te protegeria do calor, se lhe faltasse ventilador. Eu te protegeria do mundo, se lhe faltasse coragem. Eu te protegeria do raio, se as chuvas chegassem. Eu te protegeria da segunda-feira, se a preguiça surgisse. Eu te protegeria da vida, se ela lhe sufocasse.
Essas palavras ecoavam em minha cabeça.
Já era tarde da noite, meu mundo estava sem movimento.
Não havia barulho, mas não havia calma.
Num relance minha certeza se tornou incerta:
metade de mim era frio, a outra calor. Metade coberta, metade ventilador. Metad...
Este sentimento me cortou ao meio, como uma navalha corta um tecido de pura seda. 
Acima de tudo, eu te protegeria de mim, se o amor não me tomasse. -
Pensei.

Eu era o criador e a criatura.

domingo, 26 de maio de 2013

Sem final.

Meu corpo era como um livro para ela, seus olhos me corriam do começo ao fim tentando entender cada linha. Suas mãos me tocavam com a leveza que se vira uma página e ela me cheirava com a paixão de quem cheira um livro novo. Ela sabia que não era fácil entender as palavras complexas que ali existiam e sabia também que algumas partes não faziam sentido, entretanto todos os dias ela lia e relia cada linha. Algumas vezes eu já a vi franzir os olhos demonstrando indignação, outras vezes a vi voltar a mesma frase devido a dislexia, mas nunca a vi parar de ler no meio da frase, muito menos se contentar com um ponto final. Por mais que seus olhos mareassem depois de um dia cansado, ela ao menos tentava começar a ler minhas linhas e confesso que por muitas vezes eu atirei minhas letras a ela pra que seus olhos não doessem.
Ela nunca foi uma amante de livros, mais a esse livro sem final ela já retornou várias vezes.

domingo, 19 de maio de 2013

De repente a gente vê que perdeu ou está, perdendo alguma coisa...

Ela se jogou pro mundo como quem se joga na cama depois de um dia cansativo. Quis agarrar a vida com as mãos sem saber que ela escorre como areia entre os dedos. Procurou o encanto de "Era uma vez" e só encontrou no "paraíso proibido". Sem saber que tempo corre ela tentava tirar o vazio que o mundo deixará enquanto ela dormia. A cada dia uma gota de lágrima se revertia em vontade de atravessar os dias correndo e só parar no fim dessa estrada. Da onde vem a força pra tanto desgosto, pra que o desgosto de tanto esforço?
Ela se jogou em meus braços procurando a paz de um colo materno, seus olhos eram como dias nublados, e imploravam que meus olhos fossem o sol a findar a chuva. Todos os dias ela me gritava com calmaria: Quem eu sou? Ela não se achou, mas eu também não sei quem sou.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Tenho pra mim que o amor é como um tesouro escondido. Só vai atrás quem tem disposição pra percorrer o caminho, o resto das pessoas apenas imaginam como é o bau e seus escondidos. Então bate no peito e diz pra todos que sabe o que é o tesouro, o amor, só por ter imaginado. Na verdade, sabe é de nada. Aí o outro pensa: "se ele já viu e me contou como é, não preciso ir atrás" e assim começa essa grande epidemia de choros na madrugada, gritos no ouvido do amigo dizendo como o amor é cruel e todos aquelas musicas melancólicas de como o outro é ruim por ferir-lhe o coração. Ler um texto de "Tati Bernardi" não te mostra o que é o amor, levar um pé na bunda do menino que você ficou (enquanto ele tinha namorada) não te mostra o que é dor. Ficar gritando pro mundo o quanto você foi boa e te chifraram ou machucaram, não te faz uma santa. Vocês deviam mesmo ir atrás do amor primeiro, ao invés de sair dizendo que ama com a mesma frequência que trocam de calcinha.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Egoísmo ou vaidade, talvez... Ou não... Será? É pecado querer-te só pra mim? Te prender na minha vida é um crime? Não querer ninguém perto, é maldade? Ter você como minha e rosnar pra quem olhar, é ultrapassado? As vezes penso ser um tanto cafona esse sentimento ai, dizem que é "ciumes", é isso? Não entendo. Eu digo que é querer cuidar, eles dizem ser obsessão. Sei de nada dessa modernidade toda. Não vejo o erro, em querer proteger o que é meu por direito e por comum acordo. Um dia a lua sumiu e por acaso eu a encontrei refletida no teu olhar, depois disso meu coração virou um cão de guarda, destinado a ladrar, rosnar, latir, que seja... A ter esse sentimento louco aí que ainda não sei o nome, mas que me faz te querer toda pra mim, só pra mim. É pecado?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O amor de seu Zé.

Certo dia um senhor me disse, com a certeza de um homem vivido, que nós fomos feitos em pares.
Foi me contando sua história, seu José. Em meio a tanta proza tentava me provar que amor se aprende, se ensina e se vive. Disse-me que os olhos é que dizem, o coração obedece e quem mais procura, vive em agonia. "Talvez, minha querida, dê pra se encontrar o amor em qualquer esquina, mas é provável que ele acabe no próximo poste", ele me disse.
Amor acontece sim, só tens que acreditar. E se não encontrar o teu par, aprenderá amar os defeitos de outrem e implicar com suas qualidades. É... A vida é assim, o avesso muitas vezes é o lado certo.
Já fazem 30 anos que ouvi essas sábias palavras. Hoje sentada aqui, acredito e sorrio ao lembrar da frase de seu Zé: A distancia de um vizinho ao outro é a mesma que a de um país ao outro, quando não se acredita no amor.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013



Vivi tempos de guerra e de paz, e se tem uma coisa que não me surpreende mais é o amor. São tantas traduções, tantas lágrimas que não secam, palavras bonitas e feridas que não se fecham pra tentar explicar essas quatro letras.
A ciência tenta explicar, a religião impor regras, os pessimistas evitam, os otimistas procuram.
O engraçado da história é como ela se contradiz. Uns dizem que amor é luz, outros dizem que é dor. Já vi amor dar a vida e tira-la também.
Me disseram que é universal e que todos estão sujeitos a sentir mas se todos o sentem, por que uns se dão bem com ele e outros não? Seria como a sorte ?
Talvez tudo isso seja relativo. Pro amor não existem regras, nem manual de instruções. Para uns amor pode ser um suspiro, um arrepio, uma motivação, a pegação. Pra outros pode ser o desespero, o desapego, a indecisão, uma destruição.
No final de cada história, uma conclusão. A ciência pode sim chegar a cura do cancêr, mas nunca entenderá o que significam cada uma destas letras, é uma luta interminável entre o sentimento e a razão.