domingo, 26 de maio de 2013

Sem final.

Meu corpo era como um livro para ela, seus olhos me corriam do começo ao fim tentando entender cada linha. Suas mãos me tocavam com a leveza que se vira uma página e ela me cheirava com a paixão de quem cheira um livro novo. Ela sabia que não era fácil entender as palavras complexas que ali existiam e sabia também que algumas partes não faziam sentido, entretanto todos os dias ela lia e relia cada linha. Algumas vezes eu já a vi franzir os olhos demonstrando indignação, outras vezes a vi voltar a mesma frase devido a dislexia, mas nunca a vi parar de ler no meio da frase, muito menos se contentar com um ponto final. Por mais que seus olhos mareassem depois de um dia cansado, ela ao menos tentava começar a ler minhas linhas e confesso que por muitas vezes eu atirei minhas letras a ela pra que seus olhos não doessem.
Ela nunca foi uma amante de livros, mais a esse livro sem final ela já retornou várias vezes.

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