Quando me dei conta, passava das três.
Não sei exatamente quando eu perdi a noção do tempo, talvez tenha sido a alguns anos. Mas de fato a hora havia passado e eu continuará sem saber olhar os ponteiros.
Eu, ou aquilo que acredito que sou, deitei e nunca mais se levantou. Não troco meu travesseiro, nem minha coberta, estão todos se desfazendo, mas não me atrevo a deixa-los. Talvez esse seja o ponto, talvez eu nao saiba soltar as coisas tais que me dão uma boa noite de sono.
No fundo, sou um campo fértil pronto para tantos jardins... Eu sei. Mas o problema é a cerca. E se passas, o problema é o cão. E se amassansas, o problema é o caminho. E se passas...
Já passam das três, ainda que eu não saiba olhar relógios e seus ponteiros.
Meu coração tem sido caneta tinteiro espalhando tinta por onde passa, deixando irreconhecível qualquer traço. Minhas mãos trêmulas ja não fazem grandes feitos, meus textos não expressam e essa dúvida sufoca o peito.
Entre minha cama e o mundo abriu-se um portal e, eu que sempre fui alheio ao mundo, sinto-me entrando nessa fenda paradoxal pra ver se encontro sua dopamina em qualquer esquina.
Me sinto tolo por sacudir um cachorro já morto, mas me sinto obrigado a dizer pra que não caia sob mim a culpa, do ser ou do estar.
Já passa das três, não faz sentido que eu esteja assinando esse termo de compromisso comigo mesmo. Como sou tolo, e burro.
Minha cama me chama, eu sinto muito, me perdoe por faze-lo, ou não conseguir florescer. Eu realmente, sinto muito.
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Sinto muito
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