Fiz uma lista esta noite, de coisas que eu deveria fazer, e quais eu não deveria fazer. Não me atrevo dizer que era pequena, ou fácil de ser cumprida. Mas foi uma bela lista, numerada e em ordem alfabética.
Correram as horas, o dia não terminou, porém fiz o que não devia e o que devia ficou a esmo, como meu corpo tem estado.
Me senti um grande vulto, e no meio de uma imensidão descobri que a maior concentração de nada está aqui.
Minha sacada é alta e eu não tive medo. Nem coragem. Nem vontade. Nem nada.
O que prometi pra minha progenitora que nunca mais o faria, o fiz e olhem: que linda merda eu fiz. Devia ser estampado em outdoor esta linda cagada que agora está estampada apenas em meus dedos.
Cai tão rápido que nem vi o tropeço. De toda forma, eu sabia que havia tido um.
Fui analisando sistematicamente cada pedaço anaquilado de mim e juntando parte por parte pra que o vácuo fizessse ao menos sentido.
E então tive medo.
Parti pra tao longe que não sei mais o caminho de volta e mais uma vez me nego a pedir que apontem a direção, talvez porque eu so tenho cansado de prosseguir, seguir, emergir, sucumbir e sorrir.
No lugar que me encontro sou rei, mas não há utilidade nenhuma, uma vez que nao ha ninguém a quem comandar. Nem mesmo a cara no espelho.
Tornei-me um palco, protagonista de um belo show, que fecha as cortinas todos os dias antes que aconteçam os aplausos. Porque a plateia está vazia.
Eu tive medo.
De mim, de você, e até do vazio que vem deixando no meu mundo já inabitado.
Quando falo, o grunhido parece algo que ja se foi e eu odeio pena. Não espero pena. Não quero pena. Ou seja la o diabo que for. Minhas preocupações são maiores, vão a Marte e voltam a mim, deixando a lembrança que minha alma não é daqui, e eu nao me importo com isso.
Se pisei nesse dia foi pra marcar com pegadas falsas a história e rir do meu fracasso.
E eu tive medo de mim.
Mas está tudo vazio, e me pergunto se alguém tem coragem o suficiente pra se criar no nada, procriar no vácuo e expandir minha sobra de falhas.
Talvez sim, talvez não
Tive medo do mundo, e de nós
A falta do que me tem, inebria meu cérebro e já não sei se tenho medo.
Mas tenho, alguma coisa, creio eu. Eu que não creio em mim. Mas tenho.
E o medo rega tudo isso,
Ei... olha só essa montanha de nadas que eu fiz, da pra fazer muita coisa por aqui, inclusive nada.
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Nada
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