quarta-feira, 15 de junho de 2016

Bilheteria.

Se meus olhos pudessem fotografar, minha memória estaria sem espaço.
Lotada de imagens suas. Desse sorriso torto, das pernas desengonçadas, de nossos pratos de comida.
Se minha mente criptografasse imagens, provavelmente teria um peso infinito de paredes, postes, fios, janelas e incontáveis coisas aleatórias as quais eu incansavelmente insisto em te ver.
Caso pudesse eu reproduzir sons como um rádio o faz, e mostrar em meu peito as imagens que meus olhos fitaram, apareceria uma serie de azulejos e portas de banheiro ao som da sua risada soluçada.
Como queria eu lhe mostrar como num raio-x a forma como mastigo a saudade e a engulo tentando fazer a mais perfeita digestão. Talvez você sentisse o gosto amargo que é essa tal saudade. Quiçá entendesse porque prefiro engoli-la a cuspir, aceitando a azia que é ter dentro de mim a falta.
Queria ser um cinema a passar teus lábios em HD ao som da sua respiração ao dormir. Ou rádio sintonizado na sua voz, que muda de estação cada vez que ela se faz tensa, e aumenta o volume quando se faz trêmula.
Queria ser campeã da sua bilheteria e deixar o posto de lanterninha pra quem não espera a vinheta acabar.

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