quarta-feira, 8 de março de 2017

Back in time

Coloquei as estrelas na mochila, como se o universo fosse pequeno demais para o tamanho do que há em meu peito.
Meus cadernos tem páginas rabiscadas, linhas sem conclusão. Por vezes, as palavras parecem não existir, não expressam o que tenho a dizer.
Minha cavalaria é grande, retirei suas rédias e agora meus pensamentos são cavalos selvagens, indomáveis. Até por mim.
Sim, eu mesmo.
Conhece?
Nem eu.
Subo e desço do pódio só pra saquear o prêmio. O mundo é lugar de ninguém. Quero devolve-lo a quem...
Fiz as contas e pelo resultado, a chuva irá prosseguir.
Faço sempre as contas, mas as estrelas não se cansam, pulam, pulsam, até que eu esqueça que o universo é pra fora.
Aqui dentro me armei. Acampei. Quando respiro o tesão me toma.
Minha melhor transa.
Gozo da solidão.
Com ela tudo é silêncio. Meus cavalos cantam.
Meus olhos brilham.
As estrelas brilham.
Meu universo é back in time.
Se não conhece o buraco de minhoca esqueça as contas e não volte aqui.

Um comentário:

  1. Senti o efeito do buraco de minhoca enquanto lia. Viajei para além do espaço e do tempo e fui parar dentro de mim, em meio a mina solidão e nela consegui sentir o gozo efémero e profundo do universo em encanto e desencanto.

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