segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Poema de encanto, pra ver se te encontro.

Seus olhos eram negros, feito a noite. Fundos feito marca de açoite.  Quando me fitava com aquele olhar sem vida, arrepiavam minha alma até percorrer minha pele.  Eu cambaleava entre a sanidade e o tesão.  Eu cambaleava numa dança tão desritmada quanto seus cabelos levemente ondulados, que iam e vinham, bagunçando tudo o que ela insistia em arrumar, vinham e iam dando vida aos traços tão imperfeitamente lindos do seu rosto. Tudo era negro, seus olhos, a pele morena, o cabelo escuro e sua alma obscura.
Roça. Atiça. Vai embora sem despedida. Nunca me vem, ou se vai. Nunca me tem, nem se aproxima. Não se doma o coração de um poeta. Ela nunca escreverá uma palavra. Me tinha. Eu indomável poeta. Pedia que ficasse, sem despedida, se ia. 
Não me lembro em qual copo de bebida a encontrei. Nem em qual esquina a vi. Não recordo  qual penumbra guiou minha mão em suas costas (que abrigavam minhas digitais em suas covinhas, ali ao fim das costas).  Nem sei o seu nome (qual dos nomes da minha agenda?). Eu tenho seu número?

Foi  a miragem mais real que tive. A realidade mais surreal. 

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