Seus olhos eram negros, feito a noite. Fundos feito
marca de açoite. Quando me fitava com
aquele olhar sem vida, arrepiavam minha alma até percorrer minha pele. Eu cambaleava entre a sanidade e o tesão. Eu cambaleava numa dança tão desritmada quanto
seus cabelos levemente ondulados, que iam e vinham, bagunçando tudo o que ela insistia
em arrumar, vinham e iam dando vida aos traços tão imperfeitamente lindos do
seu rosto. Tudo era negro, seus olhos, a pele morena, o cabelo escuro e sua
alma obscura.
Roça. Atiça. Vai embora sem despedida. Nunca me vem, ou se
vai. Nunca me tem, nem se aproxima. Não se doma o coração de um poeta. Ela nunca
escreverá uma palavra. Me tinha. Eu indomável poeta. Pedia que ficasse, sem
despedida, se ia.
Não me lembro em qual copo de bebida a encontrei. Nem em qual
esquina a vi. Não recordo qual penumbra guiou
minha mão em suas costas (que abrigavam minhas digitais em suas covinhas, ali
ao fim das costas). Nem sei o seu nome
(qual dos nomes da minha agenda?). Eu tenho seu número?
Foi a miragem mais
real que tive. A realidade mais surreal.
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