Hoje acordei com a mesa posta,
no prato uma merda ainda quente e fedendo.
Encarei por alguns minutos aquilo que me ofereciam,
sem saber se conseguiria engolir.
A anos me dão as sobras pro jantar,
e os restos no almoço,
a falta do alimento me deixou fraca, sem vida, sem esperança...
Mas sinto aqui, dentro de mim, uma fome insaciável
Uma fome que começou a tomar conta dos meus nervos a ver aquela merda posta.
Me perguntei se eu deveria come-la ou morrer de fome,
se eu deveria mastigar, fechar os olhos e sentir a náusea vir,
a vontade de expelir,
aquela merda toda descendo pela minha garganta,
arranhando minha alma,
e ainda sorrir pois foi me dada de bom grado.
Levantei atordoada, sentindo que os pratos são frágeis e os talheres de plástico.
A fome que grita pulsante em mim, a anos, parece ter tomado conta.
Acontece que a dor de ver aquela merda ali, no meu prato, enquanto sinto fome me causou dor.
A dor é parte pequena da fome que sou.
Estou encarando meu prato algumas horas, nada faz sentido: a mesa, os pratos, as cadeiras...
Já engoli essa refeição tempo demais e essa fome é matéria que você não alcança.
Aprendi algo com esses alimentos requentados, me levanto atônita, vingança só é prato frio pra quem tapa os olhos. Nós ainda sentimentos a vingança quente, fervendo, pulsando, escorrendo... E não é essa merda posta mesa que matará a minha fome.
Não hoje.
E sempre.
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