Quando olhei o mar senti o vento
Quando olhei as pessoas, eram iguais.
Parecia abstrato, como se eu fosse a orelha de Gogh.
As vezes me pergunto o que veem
De tanta história vivida, não sabem o meio
Sufoca o peito
A dor de cabeça que me acomete é talvez o estrondo do que vi
Não há dia que o sol não insista em me acordar
Não há noite que eu não insista em desistir
O pensar é alheio, o sentimento é certeiro
Sou como carteiro: chega, traz mensagem e não recebe bom dia.
Ainda olho o mar e ele me trás alento, era o que eu queria.
Das janelas do mundo, todos olham, vejo todos...
Poucos me veem.
Os que enxergam sabem do peito ferido, mas não sentem o sangue escorrer.
Não coagula.
Sinto como se a areia da ampulheta tivesse parado a tempos.
Meu corpo está sedado à tempos.
Ando descalço pra sentir o chão, pois todo resto me é alheio
Sinto vontade de acabar com o mundo Pequenos fragmentos reluzentes
Tao brilhantes quanto essa confusão que se instalou
Olho o mar, ele está ao relento...
A orelha de Gogh agora é valiosa
Como estrela que brilha, depois que morre.
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