quarta-feira, 5 de abril de 2017

Perdoa pai

Tem dias que minha alma não tira a roupa pra dormir. Há dias que eu não tiro o tênis quando chego. Tem dias que há dias.
Como você sentiria o mundo se visse dos meus olhos?
Eu não te emprestaria meu peito pra que sentisse o mundo.
Pouco sabem aqueles que já ouviram. Menos ainda quem nunca escutou.
Minha vida segue num curso feito rio que possui nascente, mas não sabe onde deságua. Você que navega, não sabe onde ancora.
A culpa ja é minha por direito, desde que decidi não morrer, dela eu fiz escada pra chegar a redensão.
Desculpa pai, eles não sabem o que dizem.
Desse deserto árido e frio, não sabem a solidão de ser três em um.
Perdoa Pai, eu não sei o que quer de mim.
Poucos são os que seguraram minha mão, ferida. Poucos são os que não tiraram suas conclusões.
Todos disseram: a culpa é sua.
Sou chuva, escorro do seu rosto. Broto em teu peito. Mas dos meus olhos nada surge, não ha tempestade que se crie em mim.
Fui tão longe pra tampar o que via que a escuridão agora te confunde a visão. Eu não sou ébrio.
A volta é longa, tento ser melhor.
O grito ecoa de um lado, o vidro quebrando do outro. Minha cama era bom esconderijo, hoje algoz.
Por dentro fulmino num grunhido quase indiscreto. As tripas me corroem e os vermes me consomem.
Perdoa pai, eu sei o que fiz.
Mas eles nunca saberão.
Do julgamento do mundo fiz minha escada pra redenção.
Um dia o grito alto no teu vidro fino há de me cortar, a culpa me elevará e tudo isso vai brilhar.
Ainda assim, o mundo ainda irá me julgar.
Essa é minha redenção.
Meu silêncio pulsa no seu grito alto.
Perdoa, pai. Eu não perdoei.

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