Quando adentrei a casa senti a espinha gelar. Era como sentir cheiro de fumo pião toda hora, a penumbra preta sempre parada no batente da porta a me olhar, sempre foi como não pertencer.
Cada passo pelos cômodos são como cair lentamente. É sempre escuro, as luzes sempre queimam. É sempre silencioso, mas as vozes nunca param.
Sempre achei viver no inferno, ao sair dele, me dei conta de ter morrido.
Aos poucos.
Longe de onde o fogo queima, nada esquenta. É tudo sempre frio e distante.
Sinto ainda o chão gelado de taco, e as batidas na janela. Procurei quem quer que fosse, mas nunca havia ninguém.
Como posso hoje sentir paz se meu coração jaz onde a guerra é infinda?
A penumbra vive a querer se aproximar, mas corro como maratonista. Pra lugar algum.
Onde quer que eu me deleite, não ha paz.
Eu durmo. Mas não descanso. Acordo cansado. E meus ombros doem. Minha cabeça não parou, sei porque lembro.
Meu sangue ferve e meus dedos pedem o gelado do piso. Mas o gosto dessa parede, me lembra minha casa. Que nunca foi minha.
Eu não sei o meu lugar. Nunca fui de lugar algum.
Peço licença ao universo pra passar por aqui. Mas o peso morto que sou não faz eco.
Fechei a porta, quando senti o frio na espinha, fechei os olhos e me desculpei por te-los deixado pra trás. Mas não sou necessário.
"Quer ajudar, não atrapalha", sempre disse.
Eu sou todo atrapalhado, o que mais eu poderia fazer?
O cósmo diz que somos de uma era de confusões. Digo aos astros que a confusão tem como Big Bang meu peito.
E eles continuam falando.
E eu continuo ignorando.
Não sei por quanto tempo.
O poeta que me toma, carrega o ser humano que fui. Como forma de resgatar as memórias que tive como forma de manter-me eternizado na história.
É tudo que sou.
Minhas linhas são mais simbólicas que minhas olheiras.
E eles continuam falando.
Nem entrei em casa. Mas no tapete estão minhas pegadas.
Sozinho, agora, conto quantas vezes morri um pouco. Três eternidades não pagariam minha infância. Meus suspiros não trazem vida, a pendência é grande.
O nascimento foi erro de cálculo.
E eles sussurram.
Eu não grito.
Nem sinto.
Só vive o poeta.
Um dia ele me toma
E a morte sera um soneto psicografado.
Já são.
Nenhum comentário:
Postar um comentário