segunda-feira, 15 de maio de 2017

Psicografia pt 2

Pedi licença pra entrar em casa.
Com os pés descalços pra sentir o chão.
Não sei como deveria ser a sensação, a muito não entendo o que devo sentir.
O coração quase para de tanto bater. Os lapsos cinapticos me dizem que está tudo bagunçado.
A cabeça não para, o peito aperta e não sei quando volto.
No meio de tanta dança, meus pés calejados fazem o ritmo da valsa rumo ao infinito. Bonito.
Pedi licença, mas nem sabia se entraria.
A entrada me vislumbrou, porém não sei se a vida me deixou entrar. Penso que cabulei a entrada. Dizem que pedi pra estar aqui, mas não me lembro, logo, nego a sentença.
Quando meus olhos param no infinito me questiono quantas vidas há em meio metro. E a dúvida me corroí quando penso que não sou parte de nenhuma delas.
Ontem, falando com Pedro, me questionou quem sou.
- Você. Respondi.
Desci aqui sem rota. O cometa que corta o céu, sem rumo pra cair.
Quando parei pra pensar no que é a vida, nunca mais levantei. Fiquei estático a porta como cachorro que não é expulso, mas não tem permissão de entrar.
Sinto o peso das decisões em meus ombros, como grilhões que prendem meu viver.
Eu pedi licença.
Não sei se limpo os pés ou tiro os sapatos. Não sei se deito o corpo ou a vida.
Não sei.
Licença, eu disse.
Por que a dúvida é mais pura que a resposta?
Por que vem? Por que fica? Por que existo? Pra que questiono?
Derrama-me a ignorância.
Como a lei da física, minha inércia é constante. Não sei quem sou, portanto nego meu ser. Não há filosofia maior que um ponto de interrogação.
A fé que me movia, hoje está alheia aquilo que visto. 3 contas não pagariam as tantas contas. Sem dor não alcanço a evolução e é insuportável ter um peito vazio.
Decretei prisão ao universo. Inafiançável. Minha cela não tem grade, o tempo não se aquieta.
Como pode um ser estar vivo e não saber que existe?

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