quarta-feira, 24 de maio de 2017

Tempo

A vida requer tempo. É tudo uma questão de tempo.
O problema é que tempo é uma ampulheta nas mãos de um senhor com Parkinson. A areia corre pra lá e pra cá. É muito quando se tem pouco, é nada quando se quer muito. E num segundo tudo se inverte.
O tempo tem sido cruel, espero que seja breve e ele se arrasta. Por um minuto vejo a areia se esgotando, mas as mãos tremem e a ampulheta está ao contrário. Nunca ha tempo.
Nos dias que os grãos parecem infinitos imagino o vidro se quebrando, os estilhaços dançando com os grãos e meu ser se esvaindo dessa linha gradual.
Seria algo relevante se entendêssemos o tempo e o matássemos num crime passional.
Mas, deixaríamos de existir? Mataríamos nós mesmos?
Minhas mãos trêmulas erguem a ampulheta contra a luz, os grãos são muitos....  O tempo está acabando!

Nenhum comentário:

Postar um comentário