Uma amiga me disse que a vida está cobrando demais dela, Pedro.
Que coisa não?! Fiquei pensando... De que forma a vida a cobra? Qual moeda de troca ela utiliza? Não estaria a vida apenas saqueando... Digo, eu não recebo nada em troca a muito tempo.
- Deixe de ser tolo, o que te falta é rum.
- Me falta ser ruim, Pedro.
Pedro não me entendia, quase nunca. Ele nunca foi desses que querem entender a vida, Pedro está pra vida como barcos estão pro solo. Mas eu não, eu me questionava...
Enquanto Pedro bebia mais uma garrafa, sem querer entender porque o sol me queima e o aquece, eu fiquei sentado olhando o mar.
A onda vinha
Ia
Vinda
Ida
O que eu recebo depois? Despedida?
O que Pedro recebe? Chegada?
Não é que Pedro não se importava com a cobrança, Pedro estava cansado de pagar. Sim... É isso...
- Pedro, você tem medo de partir?
- Não se cansa de ser tolo?! Eu sou um capitão, como temeria tão pouco.
- Estou dizendo da terra firme, de nunca mais voltar, da vida lhe cobrar e suas moedas serem ao barqueiro.
Um silêncio tomou conta de nós, o silêncio da onda que falava mais do que minhas questões.
Medo é o que cerca esse barco.
- Tome um gole marujo, você não tem que pagar por isso.
Sim Pedro, ainda não pago por ele.
Mas e depois, o que a gente recebe por tanta cobrança?
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