quarta-feira, 27 de maio de 2015

Batom.

Não procuro nada, por não ser nada. Nada por vezes é tanta coisa...
 Tudo corre numa velocidade tão lenta que meus óculos embaçam com porra nenhuma.
 A mente tem estado tão sobriamente embriagada com gritos que não sabem o que dizer.
 As vezes cai sobre mim o peso de querer ser mais que acredito. O peso do outro, o seu peso, a sua memória.
 Queria que minha verdade, também fosse, sua sanidade.
 Seria os meus pensamentos os teus mais sujos desprezos?
 O que vomito é o que tomas. Te tornas melhor ou pior?
 Pensas agora no outro.
 Sou eu um sopro de devaneio lúgubre?
 Terminamos os mesmos textos; Nos mesmos termos; Sempre a mesma pergunta: Sabemos quem somos?!
 Há espelhos por toda parte, refletindo o que há de menos belo no ser humano.
 Somos marcas de batom, em um guardanapo qualquer... Marcas sensuais e cheias de cores, em algo ou alguém, que são largados no chão de qualquer banheiro, de qualquer lugar barato.
 A boca pintada sorri, se enrosca, petisca e pita, acaba a noite sem cor.
 Nos mil espelhos por ai, que nos fitam até mesmo do teto, talvez exista alguma explicação... Mas ainda somos uma marca de batom, vivida, cheia de historia, marcados em meros papéis, largados no chão no boteco mais próximo.

Um comentário:

  1. Uma marca vívida, e que mesmo quando apagada na pitada, no copo da bebiba, nos espelhos e bares da vida... Ainda sim, será uma marca... Não mais vívida... Mas vivida! 😉

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